A Cosan precificou a primeira oferta pública primária a R$ 5,00 por ação após bookbuilding, totalizando R$ 9,0625 bilhões com a emissão de 1,8125 bilhão de ações (incluindo 25% de Ações Adicionais). Do preço, R$ 1,00 comporá o capital social e R$ 4,00 irão para a reserva de capital, elevando o capital para R$ 9,995 bilhões e 3,679 bilhões de ações emitidas. Houve alocação de 1,45 bilhão de ações à Nova Holding dos investidores âncora, lock-up de 2 anos para 50% das ações de não institucionais e institucionais e, para os âncoras, 50% por 4 anos e 50% por 100 dias. A ausência de lote suplementar e de estabilização pode ampliar a volatilidade no pós-oferta; ainda assim, a demanda superou em mais de um terço a oferta inicial. O movimento dá continuidade à trajetória inaugurada no Acordo de Investimento com investidores âncora e a estrutura em duas ofertas anunciado em 21/09/2025. Desde então, a companhia desenhou travas de governança, precificação única nas duas janelas e foco em desalavancagem, buscando uma base de longo prazo e previsibilidade de liquidez; a manutenção de R$ 5,00 como referência, somada ao acréscimo de Ações Adicionais, reforça a execução disciplinada, ainda que sem os instrumentos usuais de estabilização.

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O encadeamento regulatório também foi cumprido. A alocação relevante aos âncoras por meio da Nova Holding e o cronograma até a liquidação só ganharam tração depois da aprovação sem restrições do CADE para a subscrição pelos veículos de BTG Pactual e Perfin, que removeu incertezas de execução e confirmou o desenho de governança com travas e prioridades de alocação. Com isso, a Cosan migrou do desenho para a captura efetiva do capital, alinhando governança reforçada e foco em estabilidade da base acionária antes da precificação e do início de negociação.

Do ponto de vista estratégico, há um ajuste importante de escopo: o Anúncio de Retificação indica que os recursos adicionais “poderão ser utilizados para fortalecimento da estrutura de capital da Companhia, bem como de suas controladas e investidas, incluindo a Raízen”. Esse enunciado amplia a flexibilidade em relação ao guidance de uso exclusivo dos recursos para amortização da dívida da holding, sem capitalização da Raízen, divulgado quando a primeira janela foi lançada. Na prática, a prioridade permanece a desalavancagem corporativa, mas a companhia preserva capacidade de apoiar liquidez e crédito em ativos estratégicos, caso o cenário exija, sem abandonar o racional de disciplina de capital e travas de longo prazo.

O anúncio de que a Segunda Oferta Pública será submetida em sequência, com possibilidade de lote adicional de 100 milhões de ações e mesmo preço por ação, fecha o arco de execução previsto desde setembro. Esse encadeamento conversa com a avaliação de alternativas para aprimorar a estrutura de capital e a busca, ao lado da Shell, por novos investidores para a Raízen (04/09/2025), indicando que a Cosan mantém duas vias complementares: reforço do balanço via equity no nível da holding e, se for oportuno, soluções de capital e parcerias no nível dos ativos. Para o investidor, os próximos marcos são a liquidação em 10/11/2025, o início de negociação em 05/11/2025 e a leitura do impacto na dívida líquida e no perfil de vencimentos após a conclusão das duas janelas.

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