A Cosan (CSAN3) firmou Acordo de Investimento com veículos ligados a BTG Pactual Holding/BTG Pactual Asset Management e à Perfin Infra, em conjunto com as Holdings Aguassanta, para estruturar duas ofertas públicas primárias. Os âncoras se comprometem a assegurar 100% da Primeira Oferta Base de 1,45 bilhão de ações a R$ 5,00 por ação (R$ 7,25 bilhões). A primeira oferta ocorrerá no Brasil (EGEM), sem direito de prioridade, com possibilidade de lote adicional de até 25% após o bookbuilding; a segunda, ao mesmo preço, prevê até 550 milhões de ações com prioridade a acionistas com posição em 19/09/2025, limitado a 2 bilhões de ações no total. O investimento será via Nova Holding, com participação das Holdings Aguassanta até a liquidação. Haverá lock-up de 2 anos para 50% das ações de investidores não âncoras, de 4 anos para 50% das ações subscritas pela Nova Holding e de 100 dias para as demais ações da Nova Holding e dos investidores da primeira oferta; a segunda oferta não terá lock-up. Os recursos serão usados exclusivamente para renegociar e amortizar dívidas, reduzindo a alavancagem. A implementação depende de AGE para elevar o capital autorizado até 8,0 bilhões de ações e dispensar OPA por atingimento de participação relevante (art. 37), além da emissão mínima de 1,45 bilhão de ações na primeira oferta e liquidação até 14/11/2025. A Cosan convocará a AGE em até três dias úteis e fará teleconferência em 22/09/2025, às 9h.
Este movimento consolida a disciplina de capital e o liability management apresentados ao mercado, transformando a etapa de alongamento e redução do custo da dívida em injeção de capital com âncoras de longo prazo e travas de governança (lock-ups e acordo de acionistas). Em outras palavras, a companhia avança do reprofiling para a desalavancagem efetiva, com mecanismos para reduzir risco de execução (garantia de colocação) e de governança (dispensa de OPA e aumento de capital autorizado, sujeitos à AGE). A iniciativa dialoga diretamente com a agenda de otimização de estruturas, fortalecimento de capital e diversificação resiliente destacada no 2T25, quando a Cosan já vinha trocando dívidas de curto por longo prazo e preparando o terreno para um ciclo de redução de alavancagem.
Ao mesmo tempo, a estrutura proposta — com Nova Holding, investidores âncora e duas janelas de alocação — materializa a trilha exploratória anunciada recentemente. Na prática, a Cosan sinaliza que priorizou a solução de capital corporativo agora, sem excluir eventuais movimentos complementares em ativos do portfólio. Essa coerência estratégica é consistente com a avaliação de alternativas para aprimorar a estrutura de capital e a busca, ao lado da Shell, por novos investidores para a Raízen (04/set/2025), apresentada como parte de uma jornada de disciplina financeira e reciclagem de portfólio. Próximos marcos: aprovação na AGE, precificação/bookbuilding e liquidação até 14/11/2025. Se bem-sucedida, a operação tende a reduzir a dívida líquida, melhorar a percepção de risco e ampliar a flexibilidade para execução das prioridades nos negócios core.







