A Embraer (EMBJ3) aprovou um programa de recompra de até 10,8 milhões de ações ordinárias, equivalente a cerca de 1,5% das 733,6 milhões em circulação, com vigência de 7/11/2025 a 6/11/2026. As aquisições serão feitas na B3, a preços de mercado, por intermédio do BTG Pactual Serviços Financeiros S/A DTVM. Os papéis poderão permanecer em tesouraria, ser cancelados, alienados e também utilizados em planos de remuneração baseados em ações. A companhia informou que usará recursos disponíveis apurados nas demonstrações financeiras de 30/9/2025 (R$ 2,51 bilhões, conforme Resolução CVM 77) e que a medida não altera a composição acionária nem compromete obrigações com credores.

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Estratégicamente, a recompra representa continuidade da disciplina de capital e aproveita a previsibilidade criada pela reestruturação de passivos conduzida ao longo do ano, notadamente o resgate integral das notas 2028 e o alongamento da duration via 2038. Ao empurrar vencimentos para além da próxima década, a companhia elevou previsibilidade de caixa para sustentar ramp-up e, agora, calibrar retorno ao acionista sem pressionar liquidez. O uso exclusivo de recursos disponíveis conforme a CVM 77 e a delegação à Diretoria da cadência das compras preservam flexibilidade tática e permitem ajustar o ritmo às condições de mercado, inclusive eventuais janelas de volatilidade do papel.

Na esteira da melhora de resultados e do balanço, a Embraer encerrou o 3T25 com receita em alta, backlog recorde e alavancagem bem menor, amparada por aumento de entregas e margens em Defesa e em Serviços & Suporte. Esse pano de fundo reduz custo de capital, melhora percepção de risco e viabiliza a combinação entre ramp-up e retorno gradativo ao acionista ao longo de 2026. Esse avanço ficou evidente no resultado do 3T25: backlog recorde de US$ 31,3 bilhões, alavancagem de 0,5x e rating BBB, além de R$ 209,7 milhões já distribuídos em 2025. Ao ancorar a recompra em indicadores de caixa e endividamento confortáveis, o Conselho sinaliza que o programa não altera a estrutura administrativa e pode também atender planos de remuneração em ações, mitigando eventuais efeitos de diluição.

No vetor de demanda futura, a densificação da base instalada do E2, o aumento da liquidez dos ativos por meio de lessors e a execução acima da sazonalidade na Aviação Comercial ampliam a previsibilidade de receita e de serviços para 2026, sustentando a capacidade de alocar capital sem comprometer o ciclo de produção. Essa trajetória foi destacada na virada comercial e carteira recorde com book-to-bill de 2,7x na Aviação Comercial, que reforça a tese de right-sizing e a esteira de Serviços & Suporte, elevando qualidade e recorrência do caixa. Em síntese, a recompra de ações se encaixa como novo capítulo da mesma narrativa: balanço mais leve, vencimentos alongados, carteira robusta e retorno ao acionista calibrado ao ciclo de crescimento.

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