A Embraer (EMBJ3) reportou no 3T25 lucro líquido ajustado de US$ 54 milhões (margem de 2,7%) e receita 18% maior a/a, com entregas de 20 jatos comerciais e 41 executivos. O backlog atingiu US$ 31,3 bilhões, recorde, e os segmentos mostraram expansão de receita: Comercial (+31% a/a, margem EBIT de 1,3%), Executiva (+4% a/a, 12,1%), Defesa & Segurança (+27% a/a, 12,9%) e Serviços & Suporte (+16% a/a, 13,7%). Comercialmente, destacaram-se os pedidos da Avelo (50 E195-E2 + 50 direitos) e da LATAM (24 E195-E2 + 50 opções). A alavancagem caiu para 0,5x Dívida Líquida sem Eve/EBITDA Ajustado (1,3x no 3T24), a S&P elevou o rating para BBB e a remuneração aos acionistas totaliza R$ 209,7 milhões em 2025. A companhia projeta para 2025 receita entre US$ 7,0 e US$ 7,5 bilhões, margem EBIT ajustada de 7,5% a 8,3% e entregas de 77 a 85 jatos comerciais e 145 a 155 executivos; a Eve prevê iniciar a campanha de ensaios em voo do primeiro protótipo em escala real no fim de 2025/início de 2026.
Na Aviação Comercial, este trimestre aprofunda a tese de right-sizing e densificação de base instalada: o combo de carteira recorde, book-to-bill elevado e novas encomendas cria previsibilidade de slots e favorece a conversão de opções conforme a malha amadurece. Essa trajetória já vinha sendo sinalizada pela virada comercial e carteira recorde detalhadas no 3T25 (book-to-bill de 2,7x na Aviação Comercial), com lessors especializados ampliando a liquidez do E2 e encurtando ciclos decisórios das companhias. Em paralelo, Serviços & Suporte captura esse efeito de frota, sustentando margens acima de 13% e reforçando a qualidade do backlog para 2026.
Em Defesa & Segurança, a combinação de crescimento de receita (+27% a/a) e margens de quase 13% reflete a construção de um corredor europeu do C-390, no qual aquisições coordenadas e uso de opções dão escala a treinamento, logística e suporte. O movimento foi catalisado pela aquisição sueca de quatro C-390 com sete opções, que consolidou o corredor europeu do programa, enquanto a 6ª aeronave de Portugal e os pedidos de A-29 por Panamá e SNC mantêm a cadência industrial e a recorrência em serviços. O backlog do segmento (US$ 3,9 bilhões) tende a ganhar densidade adicional conforme seleções recentes na Europa migrem para contratos firmes.
No financiamento, a queda da alavancagem para 0,5x e a elevação do rating a BBB foram pavimentadas por uma agenda coordenada de liability management que removeu o risco de refinanciamento na janela 2028/2030. O capítulo mais recente foi o resgate integral das notas 2028 e o alongamento da duration via notes 2038, que empurra picos de vencimento para além da próxima década e aumenta a previsibilidade de caixa para sustentar ramp-up e a esteira de serviços. Com estrutura de capital mais leve, a Embraer preserva flexibilidade para capturar a demanda incremental do E2, do C-390 e de contratos de suporte.
Quanto ao plano para 2025, as metas divulgadas hoje (receita de US$ 7,0–7,5 bi, margem EBIT ajustada de 7,5%–8,3% e entregas de 77–85 comerciais e 145–155 executivos) reforçam a continuidade do que já vinha sendo comunicado desde o guidance reiterado e carteira recorde de US$ 29,7 bi no 2T25. A execução acima da sazonalidade na Aviação Comercial e a tração em Defesa, combinadas à disciplina financeira, aumentam a visibilidade de margens e geração de caixa ao longo do ciclo de 2026, quando o nivelamento de produção e a base instalada mais densa tendem a aparecer de forma mais tangível no resultado consolidado.







