Com carteira recorde de US$ 31,3 bilhões e 62 aeronaves entregues no 3T25, a Embraer acelera uma virada comercial que se reflete no book-to-bill de 2,7x em 12 meses na Aviação Comercial e na expansão de 40% em Serviços & Suporte. Na frente de E2, os anúncios com Avelo e LATAM sustentam a tese de right-sizing e densificação de base instalada na região, adicionando visibilidade de receita a partir de 2026 e favorecendo a conversão de opções conforme a malha amadurece. Em particular, o acordo com a LATAM para até 74 E195-E2 representa um marco de escala regional que dá continuidade à ofensiva do E2 e ajuda a ancorar o ramp-up industrial.
Operacionalmente, a unidade comercial entregou 20 aeronaves no 3T25 e 46 no ano (57% do ponto médio da meta anual de 77 a 85, acima da média histórica de 55% até setembro). O avanço, combinado à carteira de US$ 15,2 bilhões, sinaliza execução acima da sazonalidade padrão e melhora de previsibilidade para 2026, quando a companhia espera efeitos “ainda mais tangíveis” do nivelamento de produção. Um vetor-chave dessa previsibilidade é a liquidez de ativos trazida por arrendadores especializados: o acordo com a TrueNoord, que deve entrar na carteira no 4T25, amplia o mercado secundário do E2, encurta ciclos de decisão e mitiga risco de alocação de slots, como ilustrado pelo pedido inaugural da lessor TrueNoord de 20 E195-E2 (com opções), que endossa eficiência e flexibilidade da família em rotas de 50 a 150 assentos.
Em Defesa & Segurança, a carteira atingiu US$ 3,9 bilhões (+8% ano contra ano), com a terceira entrega do KC-390 a Portugal, contrato para quatro A-29 no Panamá e uma unidade do A-29 à SNC nos EUA. Importante: aquisições e seleções recentes na Europa — como Suécia, Eslováquia e Lituânia — ainda não foram incorporadas ao backlog, criando um colchão de demanda futura que favorece cadência industrial e escala em treinamento e suporte. Esse movimento reflete a construção de um corredor europeu do C-390, no qual aquisições coordenadas e opções fomentam interoperabilidade, padronização de frota e hubs de capacitação, linha que foi catalisada pela aquisição sueca de quatro C-390 com sete opções, reforçando a densidade de operadores da OTAN e os efeitos de rede em serviços.
No portfólio de Ataque Leve e ISR, a venda de um A-29 à SNC no trimestre funciona como ponte de prontidão para futuras adjudicações nos EUA, encurtando a janela entre pedido e Capacidade Operacional Inicial e ativando receitas de treinamento, sobressalentes e suporte assim que os contratos avançarem. Esse desenho operacional é consistente com a compra pré-FMS da SNC do A-29 Super Tucano, que antecipa capacitação e aumenta a visibilidade do pipeline americano. Em paralelo, a Aviação Executiva segue tração de volume (41 entregas no 3T25 e 102 nos 9M25, 68% do ponto médio da meta de 145 a 155), deixando 32% para o 4T — um padrão sazonal historicamente mais forte — e sustentando recorrência em Serviços & Suporte. Em síntese, o recorde de backlog, a penetração do E2 em companhias e lessors e o corredor europeu do C-390 compõem uma narrativa de continuidade: mais densidade de frota, mais previsibilidade de produção e uma esteira de serviços que robustece margens no ciclo de 2026.







