Na segunda-feira, 6 de outubro de 2025, em Uppsala (Suécia), o governo sueco assinou a aquisição de quatro aeronaves multimissão C-390 Millennium da Embraer (EMBR3), dentro de um programa europeu de compra conjunta com Holanda e Áustria, incluindo sete opções adicionais. A Suécia, recém-integrada à OTAN, busca elevar eficiência operacional e interoperabilidade com parceiros europeus. O C-390/KC-390 carrega até 26 toneladas, voa a 470 nós e cumpre missões como transporte de cargas e tropas, lançamento, evacuação médica, busca e salvamento, combate a incêndios e operações humanitárias, inclusive em pistas não pavimentadas. Em operação desde 2019 (FAB), 2023 (Portugal) e 2024 (Hungria), a frota vem registrando 93% de disponibilidade de missão e mais de 99% de taxa de conclusão, indicadores que sustentam a adoção crescente na Europa.
Estratégicamente, a entrada da Suécia consolida um corredor europeu para o C-390: Holanda e Áustria já haviam encomendado nove unidades em 2024, e o novo contrato, com sete opções, reforça o modelo de interoperabilidade, treinamento conjunto e suporte ao ciclo de vida. Esse desenho espelha o uso das opções como ferramenta de expansão faseada observado no aditamento português para a 6ª aeronave e 10 opções do KC-390, que transformou um operador satisfeito em polo de capacitação regional. Ao combinar aquisições coordenadas e padronização de frota, os parceiros criam escala para centros de treinamento, logística integrada e manutenção compartilhada, reduzindo custos de transição e acelerando a prontidão. Para a Embraer, a densidade de operadores da OTAN tende a encurtar certificações, simplificar doutrina e sustentar preço, enquanto as opções ampliam o funil de conversões futuras sem pressionar a fila de entregas no curto prazo.
Em paralelo, a área de Defesa vem acumulando “prova social” junto a aliados ocidentais, o que facilita adoção e treinabilidade em coalizões. Exemplo disso é a compra pré-FMS da SNC do A-29 Super Tucano e a estratégia de validação em forças da OTAN, reforçando efeitos de rede em treinamento e suporte. Esse padrão — casos de uso visíveis, hubs regionais e interoperabilidade — aumenta a atratividade do C-390 perante planejadores europeus, que priorizam disponibilidade, tempo de resposta e custos previsíveis no ciclo de vida. Do ponto de vista financeiro, a expansão do backlog de Defesa ocorre em um contexto de estrutura de capital reforçada, após a emissão de notes 2038 a 5,400% que financiou as recompras e alongou a duration, sincronizando necessidades de capital de giro do ramp-up com maior previsibilidade de dívida. Para o investidor, o recado é de continuidade: adoção europeia em bloco, opções como esteira de demanda futura e disciplina financeira para sustentar entregas e serviços nos próximos anos.







