Na quinta-feira, 30 de outubro de 2025, a Multiplan (MULT3) reportou 3T25 com receita líquida de R$ 618 mi (+13,3% a/a) e vendas de R$ 6,1 bi (+6,9%). A margem NOI atingiu 94,1% (+86 p.b.), a ocupação chegou a 96,3% (+6 p.b.) e o SSR foi de 9,3%, com SSR real de +3,0% vs. 3T24. A margem EBITDA das propriedades avançou para 83,2% (+262 p.b.), a inadimplência líquida ficou em -1,9% (-178 p.b.) e o turnover, em 1,3%. Serviços cresceram 20,3%, despesas de propriedades caíram 6,1% e projetos para locação, 34,6%, enquanto despesas de sede subiram 1,3%, reduzindo participação na receita; a administração destacou "margem NOI recorde" no trimestre e em 12 meses, com lucro líquido de R$ 1.232 mi nos 12M.
Os números refletem eficiência operacional e uma execução que prioriza dominância de ativos e controle de custos. A sustentação financeira desse ciclo foi preparada nos meses anteriores, quando a companhia alongou o passivo, com custo atrelado ao CDI, por meio da captação via CRI de R$ 500 milhões com vencimento em 2035. O perfil bullet reduz risco de refinanciamento, casa cronogramas de obras com geração de caixa e dá previsibilidade para retrofits, expansões e aquisições táticas, favorecendo a manutenção das margens em patamar elevado mesmo com o pipeline em aceleração.
Na alocação de capital dos últimos 12 meses, a Multiplan manteve um playbook equilibrado: recomprou R$ 2,025 bilhões em ações (cap rate de 11,9%), distribuiu R$ 550 milhões em JCP, gerou R$ 1,4 bilhão de FFO, monetizou terrenos por R$ 160 milhões e vendeu 25% do JundiaíShopping por R$ 253,2 milhões (cap rate de 7,2%). No 3T25, também exerceu o direito de primeira oferta para adquirir 7,535% do BarraShopping por R$ 362,5 milhões, a um cap rate implícito de 8,8%, reforçando o controle do ecossistema e potencial de captura de aluguel. Esses movimentos dão continuidade ao binômio de retorno ao acionista e aprofundamento em ativos-âncora já explicitado no JCP de R$ 120 milhões e avanço da participação no BarraShopping anunciados em setembro, além de mostrar disciplina para financiar investimentos com a própria geração e reciclagens.
Em projetos, as receitas imobiliárias do 3T25 somaram R$ 93,2 milhões, impulsionadas pelo Golden Lake (PoC) e pela venda de terrenos, enquanto a companhia avança com expansões de portfólio. Foram anunciadas a Expansão VIII do BarraShopping — Fase 1 com 2.000 m² de ABL, capex de R$ 35 milhões e abertura no 2S26 — e a Expansão VI do BH Shopping — 1.962 m² de ABL, capex de R$ 30 milhões e abertura no 1S26. As obras de MorumbiShopping (7.377 m² de ABL adicional, 5.764 m² de readequação) e ParkShopping (8.615 m² e mais de 50 lojas) seguem em andamento, com inauguração da expansão do Parque Shopping Maceió prevista para nov/25 e entregas relevantes em 2026. Esse passo operacional dá sequência às expansões do BarraShopping (Expansão VIII) e do BH Shopping (Expansão VI) delineadas no trimestre, sinalizando execução faseada, ajuste fino de mix e capex calibrado à demanda.
O pipeline acumulado inclui 157.310 m² em expansões planejadas, 864.020 m² de área privativa para projetos multiuso e 1.448.700 m² de área computável adicional. No Golden Lake, a Fase 1 (Lake Victoria) começa a ser entregue no 4T25; Lake Eyre está em execução e o lançamento de Lake Baikal é esperado para 2026. Ao conectar margens recordes, inadimplência negativa e ocupação ascendente com um calendário de entregas e funding já estruturado, o 3T25 consolida a virada operacional iniciada nos últimos trimestres e reforça a tese de crescimento orgânico em ativos líderes.







