Os números do 3T25 marcam um capítulo de aceleração operacional na Petrobras: a produção própria de óleo, LGN e gás atingiu 3,14 MMboed (+7,6% vs. 2T25; +16,9% vs. 3T24), alavancada pelo pré-sal e por um conjunto de FPSOs em ramp-up. Houve recorde de produção total operada (4,54 MMboed) e própria (3,14 MMboed), com as plataformas de Búzios superando 900 mil bpd em 7/10. O trimestre foi impulsionado pelo topo do FPSO Almirante Tamandaré (225 mil bpd em 14/8 e 250 mil bpd em 9/10), pelo aumento de capacidade do Marechal Duque de Caxias (200 mil bpd, acima do nominal) e pelo avanço dos FPSOs Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Anna Nery e Alexandre de Gusmão, além de 11 novos poços. A P-78 chegou a Búzios em 30/9, com partida prevista para o 4T25, reforçando a expectativa de atingir a banda superior da meta de produção em 2025.
Em downstream, as vendas internas de derivados cresceram 5,3% versus o 2T25, com diesel +12,2% e S10 representando 67,8% no trimestre; o fator de utilização atingiu 94% e a produção de derivados foi de 1.790 Mbpd, com diesel, QAV e gasolina somando 69% do mix. As exportações de petróleo bateram recorde de 814 Mbpd, e as exportações líquidas avançaram 37,5% no trimestre. Em Gás & Energia, a companhia ampliou contratos no mercado livre (6,5 MMm³/d, +14% vs. 2T25) e antecipou 1,12 GW de disponibilidade térmica (Ibirité e TermoRio) para o Leilão de Reserva de Capacidade. No refino, a assinatura dos contratos do Projeto Refino Boaventura integra a REDUC ao Complexo de Energias Boaventura, elevando a oferta de diesel S10 (+76 Mbpd) e QAV (+20 Mbpd), em coerência com a oferta internacional de Global Notes concluída em 10/09/2025, que preservou opcionalidade financeira para acelerar capex prioritário em refino, gás e iniciativas de baixo carbono sem pressionar a alavancagem.
Este desempenho reforça uma narrativa de continuidade: escala no pré-sal com FPSOs de alta capacidade, maior flexibilidade no abastecimento interno e captura de prêmios no mercado externo. Em combustíveis sustentáveis, a Petrobras realizou teste de SAF na REVAP e obteve certificação ISCC na REDUC, prevendo iniciar coprocessamento ainda em 2025 (até 10 Mbpd). Em clima e emissões, reportou 35,03 mi tCO2e no 9M25, intensidade de 14,8 kgCO2e/boe no E&P e aprovou o piloto de CCS São Tomé (até 100 mil tCO2/ano a partir de 2028). Para sustentar a curva de produção além de 2025, a companhia vem ampliando o funil exploratório em novas fronteiras — movimento que ganhou tração com a licença do Ibama para perfurar o FZA-M-059 na Margem Equatorial, adicionando opcionalidade de reposição de reservas em paralelo ao ramp-up do pré-sal.
Em bacias maduras e de alta sinergia técnica, a empresa reforçou a presença seletiva e a capacidade de orquestrar projetos em regime de partilha. Essa trajetória ficou explícita na arrematação de Citrino e Jaspe na Bacia de Campos no 3º Ciclo de Partilha, que amplia o portfólio exploratório em águas ultraprofundas com disciplina de capital, logística conhecida e potencial de acelerar avaliações e eventuais tie-backs. Ao combinar Campos (sinergia e aprendizado) com a Margem Equatorial (nova fronteira), a Petrobras diversifica risco geológico e distribui marcos de maturação, ancorando a manutenção de volumes e a previsibilidade do guidance.
Do lado da governança e previsibilidade de fluxos, a redução de incertezas contábeis e contratuais em campos compartilhados reforça a capacidade de coordenação em ambientes multioperadores — um ponto crítico para decisões de desenvolvimento e otimização de produção no pré-sal. Esse padrão foi consolidado com o Acordo de Equalização de Gastos e Volumes (AEGV) de Jubarte, que padronizou métricas de reconciliação e mitigou riscos de disputa, criando um arcabouço que dialoga com o ritmo de ramp-up observado no 3T25 e com a partida da P-78 no 4T25. Em conjunto, financiamento competitivo, expansão exploratória e previsibilidade regulatória explicam por que os recordes operacionais de hoje se conectam a uma estratégia que busca sustentar volumes, reduzir custos e acelerar retornos ao longo do ciclo.







