Em 22 de outubro de 2025, a Petrobras (PETR3, PETR4) arrematou dois blocos na Bacia de Campos no 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção da ANP, vencendo 100% das propostas. A companhia adquiriu integralmente o bloco Citrino e, no bloco Jaspe, formou consórcio com a Equinor (Petrobras 60% e operadora; Equinor 40%). O critério do leilão foi o percentual de excedente em óleo para a União — 31,19% em Citrino e 32,85% em Jaspe — com bônus de assinatura previamente definido em edital: R$ 5.689.435,33 (Citrino) e R$ 31.340.425,45 (Jaspe), totalizando R$ 37.029.860,78, a serem pagos em março de 2026. A estatal destacou atuação seletiva para incorporar cerca de 2,3 mil km² ao portfólio exploratório, reforçando sua posição em águas ultraprofundas e a agenda de recomposição de reservas.

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O movimento dá continuidade à estratégia de longo prazo de ampliar o funil exploratório em áreas com sinergia técnica com o pré-sal e maturação escalonada. No front doméstico, essa linha já vinha sendo pavimentada por marcos operacionais e regulatórios, como a licença do Ibama para perfurar o FZA-M-059 na Margem Equatorial. Ao avançar simultaneamente em Campos (regime de partilha) e na Margem Equatorial (nova fronteira), a Petrobras diversifica risco geológico, distribui o tempo de maturação de projetos e preserva disciplina de capital, calibrando papéis como operadora e parceira. A arrematação seletiva em Campos, com alto domínio tecnológico, tende a acelerar avaliação e eventual desenvolvimento com custo competitivo e logística conhecida.

No Jaspe, a estrutura em consórcio com a Equinor, sob liderança da Petrobras, reforça a capacidade de coordenar projetos e equalizar interesses em ambientes multioperadores — competência testada na Bacia de Campos e no pré-sal. Essa prática ganhou previsibilidade com o Acordo de Equalização de Gastos e Volumes (AEGV) de Jubarte, que reduziu incertezas sobre volumes e fluxos sob o arcabouço de individualização/partilha. Esse histórico tende a minimizar riscos de coordenação, dar tração a decisões de Plano de Avaliação e Desenvolvimento e encurtar prazos de licenciamento, perfuração e eventuais tie-backs em uma bacia madura, onde há infraestrutura e conhecimento sísmico acumulado. Ao replicar padrões de governança e métricas de reconciliação em novos consórcios, a companhia preserva coerência entre expansão e controle de riscos.

Do ponto de vista financeiro, o desembolso do bônus apenas em março de 2026, somado às etapas de avaliação, demanda folga de liquidez e previsibilidade de funding. Nesse sentido, a oferta internacional de Global Notes concluída em 10/09/2025 alongou prazos a custo competitivo e, com destinação a fins corporativos gerais, preservou opcionalidade para sequenciar compromissos exploratórios sem pressionar a alavancagem. Essa combinação de caixa robusto, governança em consórcios e portfólio seletivo em águas profundas consolida a trajetória de recomposição de reservas com disciplina e foco em retorno.

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