A Companhia Celg de Participações S.A. – CELGPAR é uma sociedade de economia mista controlada pelo Estado de Goiás, criada em 2006 a partir de autorização da Lei Estadual nº 15.714/2006, posteriormente alterada pela Lei nº 16.237/2008. Inicialmente constituída sob a denominação Companhia Goiás de Participações – Goiaspar, a empresa nasceu como holding voltada à reorganização dos ativos do setor elétrico goiano. Em 2008, após aprovação em assembleia geral, a denominação social foi alterada para Companhia Celg de Participações – CELGPAR, alinhando a marca à antiga estrutura do grupo CELG. Nesse mesmo ano, a companhia obteve registro de companhia aberta junto à Comissão de Valores Mobiliários, passando a ter suas ações ordinárias negociadas na B3 sob o ticker GPAR3.
Historicamente, CELGPAR concentrou participação direta nas principais empresas de energia do Estado de Goiás, especialmente na distribuição, geração e transmissão de energia elétrica. Até 2015, deteve a totalidade das ações de emissão da Celg Distribuição S.A. (CELG D), que posteriormente teve seu controle transferido para a Eletrobras e, em seguida, desestatizado, culminando na assunção do controle por empresa privada, com liquidação do leilão em fevereiro de 2017. No segmento de geração e transmissão, CELGPAR manteve, até o fim de 2021, a totalidade das ações da Celg Transmissão S.A. – Celg T (antiga Celg Geração e Transmissão S.A. – CELG GT), em estrutura de subsidiária integral, que também passou por processo de cisão parcial e desestatização, concluído em 2022.
A partir dessa reestruturação, CELGPAR consolidou-se como holding de participações voltada primordialmente aos segmentos de geração e transmissão de energia elétrica, sem operação direta de distribuição. A companhia exerce suas atividades por meio do acompanhamento, monitoramento e controle de participações societárias em empreendimentos específicos, incluindo uma subsidiária integral e outras sociedades de propósito específico ou consórcios. Nessa configuração, a receita e o resultado da empresa derivam principalmente de investimentos em ativos regulados de transmissão e em usinas hidrelétricas e outras fontes de geração, sob regime de concessão federal.
Entre os principais ativos vinculados à CELGPAR destacam-se participações em empreendimentos de geração hidrelétrica e de transmissão em alta tensão. Na geração, a empresa detém participação conjunta no Consórcio Empreendedor Corumbá III, responsável pela Usina Hidrelétrica Corumbá III, com capacidade instalada de 93,6 MW e operação comercial iniciada em 2009, atuando como Produtor Independente de Energia. Também participa da Energética Fazenda Velha S.A., usina localizada em Jataí (GO), com potência instalada de 16,5 MW, em operação desde 2016 e com concessão de 35 anos para comercialização de energia. Além disso, CELGPAR opera, por meio de contratos de concessão, as Usinas Hidrelétricas de São Domingos e Rochedo, integrando um portfólio concentrado em geração hidrelétrica de pequeno e médio porte.
No segmento de transmissão, CELGPAR mantém participações em sociedades de propósito específico estruturadas a partir de leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A Pantanal Transmissão S.A., originada do Leilão ANEEL nº 02/2013, é responsável pelo empreendimento do Lote F, que inclui a Subestação Campo Grande II 230/138 kV, 2x150 MVA, situada no Mato Grosso do Sul, em operação comercial desde 2016, na qual CELGPAR detém participação relevante. A Lago Azul Transmissão S.A., constituída a partir do Leilão ANEEL nº 07/2013, é responsável pela linha de transmissão em 230 kV Barro Alto – Itapaci (GO), circuito 2, também em operação comercial desde 2016, tendo sido integralmente controlada por CELGPAR antes de operações de descruzamento acionário concluídas em 2025. A Firminópolis Transmissão S.A., criada após o Leilão ANEEL nº 05/2015 (Lote L), responde pela linha 230 kV Trindade – Firminópolis, integrante da Rede Básica e em operação desde 2019, na qual CELGPAR detinha 100% do capital no momento descrito.
Os mercados atendidos pelas empresas investidas de CELGPAR são estruturados principalmente no âmbito do Sistema Interligado Nacional (SIN), tanto em geração quanto em transmissão. Na transmissão, as receitas decorrem da Receita Anual Permitida (RAP), definida pela ANEEL, associada à disponibilidade dos ativos e à prestação do serviço público de transporte de energia. Na geração, a energia produzida pelas usinas é comercializada em ambientes regulados ou de livre contratação, observando as regras de alocação de cotas para usinas hidrelétricas, quando aplicáveis. Os principais clientes, de forma direta ou indireta, são os acessantes do SIN – como distribuidoras, comercializadoras e grandes consumidores – além de potenciais contratos relacionados a projetos de geração fotovoltaica voltados a entes públicos do Estado de Goiás. A companhia não apresenta concentração relevante de receita em um único cliente, não havendo cliente que responda por mais de 10% da receita líquida.
A atuação de CELGPAR e de suas controladas está sujeita a ambiente regulatório intensivo, com supervisão do Ministério de Minas e Energia (MME) e da ANEEL, que concedem autorizações, outorgas e renovação de concessões para geração e transmissão. As concessões de usinas e de instalações de transmissão dependem de contratos firmados com a União, que estabelecem condições para prestação adequada do serviço, padrões de qualidade, critérios tarifários, intervenções regulatórias e hipóteses de caducidade. A Lei nº 12.783/2013 estabeleceu diretrizes relevantes para a renovação das concessões de geração e transmissão, incluindo sistema de cotas de energia para usinas hidrelétricas e redução da RAP para transmissoras, impactando diretamente o perfil econômico-financeiro dos ativos em que CELGPAR mantém participação. A empresa também questiona judicialmente a aplicação do sistema de cotas em duas de suas usinas, aguardando decisão definitiva sobre o tema.
No campo socioambiental, os empreendimentos de geração e transmissão vinculados à CELGPAR são planejados e executados em conformidade com a legislação ambiental vigente, atendendo exigências de órgãos ambientais federais, estaduais e municipais. Os projetos incorporam critérios ambientais nas etapas de concepção, construção e operação de linhas de transmissão, subestações e usinas, com ênfase em licenciamento, gestão de impactos e adoção de medidas de responsabilidade socioambiental. A companhia declara adotar práticas integradas na gestão de seus empreendimentos, alinhando responsabilidade socioambiental às soluções tecnológicas utilizadas, embora não publique, até o momento, relatórios estruturados de informações ambientais, sociais e de governança (ASG). Não há divulgação de inventários de emissões de gases de efeito estufa, e a empresa indica que a atividade de holding, por si, não gera emissões significativas, mantendo em estudo eventual implementação futura de relatórios ASG, em função de deliberações societárias sobre a própria continuidade da companhia.
Como holding listada na B3 sob o código GPAR3, CELGPAR consolida em seus resultados o desempenho de participações em ativos de infraestrutura elétrica com contratos de longo prazo, tipicamente de perfil regulado e intensivo em capital. A estratégia recente da empresa está ligada à gestão desse portfólio, à conclusão de processos de desestatização de subsidiárias e ao redesenho de sua estrutura societária, incluindo descruzamento de participações em empresas de transmissão. A ausência de receitas relevantes provenientes do exterior reforça a natureza estritamente doméstica de suas operações, concentradas no mercado brasileiro de energia elétrica, em especial nos estados da região Centro-Oeste e em projetos específicos em outros estados, como o Mato Grosso do Sul.