Afluente Transmissão de Energia Elétrica S.A. é uma companhia de capital aberto constituída em 18 de agosto de 2008, originalmente sob a denominação de Imanisse Participações S.A. Sua criação está diretamente ligada ao processo de desverticalização do setor elétrico brasileiro, estruturado pela Lei nº 10.848, de 15 de março de 2004, que determinou a segregação das atividades de geração, transmissão e distribuição antes concentradas em empresas integradas. Nesse contexto, o patrimônio de transmissão da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) foi separado e alocado em uma estrutura específica, inicialmente na Afluente Geração e Transmissão de Energia Elétrica S.A., para em seguida ser cindido, dando origem à atual Afluente Transmissão de Energia Elétrica S.A. A reorganização societária e a transferência das concessões foram autorizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) por meio de resoluções específicas, culminando na celebração do Contrato de Concessão nº 001/2010, que regula a prestação do serviço público de transmissão de energia pela companhia até agosto de 2027.
O capital da Afluente Transmissão de Energia Elétrica, cujas ações ordinárias são negociadas na B3 sob o ticker AFLT3, é majoritariamente detido pela Neoenergia S.A., que consolidou posição de controle superior a 90% após movimentações societárias envolvendo a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) e a Eletronorte. A participação remanescente está distribuída entre Iberdrola Energia S.A. e o free float na bolsa. A trajetória recente inclui operações de compra e permuta de ações voltadas à simplificação societária dentro do grupo Neoenergia e do grupo Eletrobras, todas submetidas à anuência de órgãos reguladores como ANEEL e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), além de credores e outros agentes relevantes. Essas transações reforçam o caráter de Afluente T como veículo de transmissão regional inserido em um conglomerado elétrico de maior porte.
As atividades principais da Afluente Transmissão de Energia Elétrica concentram-se integralmente na transmissão de energia elétrica em alta tensão. O objeto social abrange estudos, planejamento, projeto, construção, operação, manutenção e exploração de sistemas de transmissão, incluindo linhas, subestações e centros de controle, bem como a infraestrutura associada. A companhia é remunerada por meio de Receita Anual Permitida (RAP), definida em contrato de concessão e regulada pela ANEEL, com reajuste anual pelo IGP-M e revisões tarifárias periódicas a cada cinco anos. As demonstrações financeiras evidenciam que 100% da receita líquida decorre do segmento de transmissão, não havendo diversificação relevante em geração, distribuição ou comercialização de energia. O modelo de negócios está baseado em ativos regulados, com baixa exposição a volume de energia transportada e maior previsibilidade de receitas derivadas da disponibilidade das instalações.
A infraestrutura operacional da Afluente T está integralmente localizada no estado da Bahia, inserida na Rede Básica do Sistema Interligado Nacional (SIN). A companhia opera oito subestações em tensão de 230 kV – entre elas Tomba, Funil, Brumado II, Itagibá, Ford, Pólo e Camaçari – com potência instalada agregada de aproximadamente 600 MVA. Além das subestações, administra cerca de 489 km de linhas de transmissão em 230 kV, interligando pontos como Itagibá, Funil, Brumado II, Ford, Pólo, Camaçari IV, Tomba, Governador Mangabeira e Poções II. Esses ativos foram objeto de ampliações e reforços ao longo dos anos, aprovados pela ANEEL por meio de resoluções autorizativas, incluindo a reconfiguração de barramentos em subestações, a implantação de novos circuitos e a elevação de tensão de trechos específicos, com impactos incrementais sobre a RAP da companhia.
Do ponto de vista econômico-operacional, a Afluente Transmissão de Energia Elétrica atua em um segmento caracterizado como monopólio natural, em que cada concessão cobre uma área e um conjunto de ativos específicos, sem competição direta entre transmissoras na mesma faixa de rede. O acesso às instalações de transmissão é regulado e assegurado a todos os agentes que produzem ou consomem energia, por meio de contratos padronizados geridos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), como os Contratos de Prestação de Serviço de Transmissão (CPST), Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) e contratos de conexão. A remuneração da companhia é composta por encargos de uso do sistema de transmissão e de conexão, pagos por distribuidoras, geradoras, consumidores livres e outros usuários conectados à Rede Básica, de acordo com regras tarifárias e procedimentais estabelecidas pela ANEEL e operacionalizadas pelo ONS e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
A base de clientes da Afluente T é concentrada em poucos agentes regulados, refletindo a própria estrutura do setor de transmissão. Há registro de um cliente individual responsável por mais de 10% da receita líquida anual, com participação que variou entre cerca de um quarto e um terço da receita nos exercícios recentes. Apesar da concentração, as receitas decorrem de contratos regulados e padronizados, em que a contraparte costuma ser agente relevante do setor elétrico interligado, como distribuidoras ou grandes consumidores conectados à rede de alta tensão. Não há exposição a mercados externos, com 100% da receita atribuída a operações no Brasil, e a empresa não está sujeita a regulação estrangeira em suas atividades.
O ambiente regulatório em que a Afluente Transmissão de Energia Elétrica está inserida é complexo e envolve múltiplas instituições estatais. O Ministério de Minas e Energia (MME) define políticas e diretrizes para o setor elétrico, enquanto a ANEEL regula e fiscaliza concessões, receitas, padrões de qualidade e investimentos em reforços e melhorias. O ONS coordena a operação do Sistema Interligado Nacional, o acesso não discriminatório à rede e a contratação dos serviços de transmissão. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), a CCEE e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) também exercem papéis estruturais no planejamento, segurança de suprimento, comercialização e expansão da matriz e da malha de transmissão. A atividade da Afluente T é, portanto, fortemente influenciada por decisões regulatórias, revisões tarifárias periódicas, regras de acesso e planejamento sistêmico.
Em temas ambientais, sociais e de governança corporativa (ASG), a Afluente Transmissão de Energia Elétrica está inserida na estrutura de reporte da Neoenergia. O desempenho em sustentabilidade é divulgado anualmente em relatório que consolida informações financeiras e não financeiras, elaborado segundo normas da Global Reporting Initiative (GRI), padrões do Sustainability Accounting Standards Board (SASB) para o setor elétrico, recomendações do Dow Jones Sustainability Index e diretrizes da ANEEL para relatórios socioambientais. Desde 2021, o reporte passou a incorporar também as recomendações da Task Force on Climate-Related Financial Disclosures (TCFD), posteriormente alinhadas aos padrões IFRS S1 e S2 do International Sustainability Standards Board (ISSB). O documento é submetido a processos internos de governança, incluindo auditoria interna, com asseguração independente realizada pela Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes, além de análise por comitês de sustentabilidade, auditoria e pelo conselho de administração. A estratégia ASG prioriza temas como mudanças climáticas, eficiência e confiabilidade do sistema, condições de trabalho, relacionamento com comunidades locais, cultura corporativa, gestão de fornecedores e cibersegurança, em alinhamento a Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente os ODS 7 e 13.
A atuação da Afluente T em transmissão de energia não envolve processo de produção de eletricidade, mas depende da integração com diversos tipos de geração, como hidrelétrica, termelétrica, eólica, solar e biomassa, que injetam energia no SIN. O papel da companhia é viabilizar, em alta tensão, o fluxo de grandes blocos de energia entre áreas de geração e centros de consumo, contribuindo para o equilíbrio entre regiões com diferentes regimes hidrológicos e perfis de demanda. Após a implantação das linhas e subestações, a atividade operacional passa a se concentrar em operação e manutenção, com uso de serviços de engenharia, materiais e equipamentos eletromecânicos, além de peças de reposição e insumos especializados. A companhia declara buscar, junto a fornecedores, soluções mais eficientes de operação e manutenção, sem, contudo, apresentar dependência crítica de um grupo restrito de prestadores, em um contexto de suprimento sob a lógica integrada do sistema elétrico brasileiro.
As ações AFLT3, negociadas na B3, representam participação em uma transmissora de energia com operação concentrada em ativos de rede básica na Bahia, foco em contratos de concessão de longo prazo e receitas reguladas baseadas em Receita Anual Permitida. A combinação de forte regulação setorial, concentração de receitas no segmento de transmissão e inserção em um grupo econômico de maior porte molda o perfil de risco e retorno do negócio, dentro da estrutura do setor elétrico brasileiro pós-desverticalização.