A Raízen apresentou a prévia operacional do 2T25/26 com moagem de 35,1 milhões de toneladas de cana (vs. 32,9 milhões no 2T24/25), ATR médio de 142 kg/t (147 kg/t um ano antes) e TCH de 73 (76). O mix priorizou 56% açúcar e 44% etanol, com produção de açúcar equivalente de 4,779 milhões de toneladas e E2G de 42,9 mil m³. O clima favoreceu a aceleração da colheita, mas a produtividade e a disponibilidade de cana no YTD foram menores devido a impactos climáticos, queimadas da safra passada e geada, somados à venda de 1,3 milhão de toneladas de cana e à desmobilização da Usina Santa Elisa. A empresa maximizou açúcar, enquanto a cogeração recuou para 755 mil MWh por menor biomassa. Esse quadro consolida a agenda de rentabilidade sobre volume e o redesenho do parque, que inclui a venda das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo por R$ 1,543 bi para reciclar capital e concentrar ativos de maior retorno.
Na distribuição, os volumes no Brasil ficaram entre 7.400 e 7.500 mil m³ (YTD entre 14.150 e 14.250 mil m³), com avanço “em linha com o Plano Operacional” e medidas de combate ao mercado ilegal. Na Argentina, o 2T registrou 1.750–1.800 mil m³ (YTD 3.450–3.550 mil m³), com início de parada programada para ganho de eficiência na refinaria. Diferentemente de ciclos em que o crescimento tinha maior dispersão, a companhia conecta volumes a disciplina comercial e execução integrada. No varejo correlato, a simplificação societária sustenta decisões mais ágeis e padronização de operação, movimento consolidado pelo encerramento da joint venture Grupo Nós com a FEMSA e a migração para franquias Shell Select/Shell Café, alinhando conveniência e combustíveis e reforçando a captura de sinergias.
No EAB, as vendas de etanol próprio somaram 817 mil m³ (vs. 974 mil m³ no 2T24/25), enquanto o açúcar próprio foi de 1.504 mil t (2.104 mil t um ano antes), refletindo a menor produção de etanol e a priorização do mix açucareiro diante da qualidade da cana. A prévia indica continuidade do foco em retorno e escalonamento tecnológico com E2G, ao mesmo tempo em que a cogeração sente a menor disponibilidade de biomassa. Para sustentar a expansão seletiva e atravessar a volatilidade da safra preservando rating, este capítulo dá sequência à avaliação de potenciais investidores para uma eventual capitalização, que amplia a flexibilidade financeira e acelera a desalavancagem sem comprometer projetos core.
Do lado de balanço e liquidez, a mensagem operacional de hoje conversa com o posicionamento recente da administração. Em outubro, a companhia divulgou fato relevante que negou qualquer reestruturação de dívida e reiterou conforto de liquidez, ancorado em caixa robusto e gestão ativa do passivo — premissas que permitem manter o plano, mesmo com ATR e TCH pressionados e menor cogeração. A divulgação dos números auditados do 2T25/26 ocorrerá em 14 de novembro, após o fechamento, com período de silêncio a partir de 30 de outubro. Para os próximos trimestres, monitore: normalização de produtividade agrícola e disponibilidade de cana, captura de eficiência na parada da refinaria na Argentina, impacto das medidas contra o mercado ilegal nos volumes e margens, e a trajetória de ramp-up do E2G.







