Na sexta-feira, 29 de agosto de 2025, a Raízen (RAIZ4) anunciou a venda das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo, em Rio Brilhante (MS), para a Cocal Agroindústria S.A., por R$ 1,543 bilhão. O pacote inclui a cessão da cana própria e dos contratos de fornecedores; o pagamento será à vista no fechamento, sujeito a ajustes usuais. As duas unidades somam cerca de 6 milhões de toneladas de capacidade por safra. Após esta e outras operações já divulgadas, o parque passará a 25 usinas, com capacidade instalada aproximada de 75 milhões de toneladas por safra. O valor é composto por R$ 1,325 bilhão em ativos e R$ 218 milhões relativos aos investimentos de manutenção de entressafra de 2025, que serão assumidos pela compradora. A transação, ainda sujeita ao CADE e demais condições precedentes, foi assinada pelo CFO e DRI, Rafael Bergman.

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Estratégica e financeiramente, a alienação recicla capital e reequilibra o footprint agroindustrial para ativos com maior retorno e sinergia logística, reduzindo complexidade operacional e necessidade de capex de manutenção. O movimento consolida a guinada para eficiência e rentabilidade delineada no novo ciclo de simplificação do portfólio, foco no core e reforço de capital apresentado no 1T25/26. Em termos de alocação, os recursos podem acelerar desalavancagem, suavizar picos de capital de giro da safra e financiar projetos com ROIC superior (como etapas do E2G), reforçando o esforço de proteger o investment grade e estabilizar margens diante de maior disciplina comercial e de despesas.

No eixo societário, a venda se conecta à simplificação de estruturas e ao redesenho de capital que a companhia vem executando em 2025. A combinação de reorganização corporativa, alongamento de passivos e reciclagem de ativos indica um blueprint consistente: simplificar para ganhar eficiência, reduzir alavancagem e concentrar crescimento onde há vantagem competitiva comprovada (bioenergia avançada, integração comercial e distribuição). Nessa linha, a operação atual funciona como desdobramento prático da cisão parcial de R$ 7,87 bilhões anunciada em junho, ao tornar o portfólio mais enxuto e focado.

Pelo prisma operacional, a decisão ocorre após um início de safra marcado por menor diluição de custos e reconfiguração do mix, o que aumenta o prêmio por ativos mais produtivos e bem localizados. A readequação do parque tende a priorizar usinas com ATR superior, melhor logística e integração com projetos tecnológicos, enquanto libera caixa para capturar margens em açúcar e avançar na bioenergia de segunda geração. Esse movimento dialoga com a queda de 20,7% na moagem e avanço do E2G na abertura da safra 2025/26, reforçando a opção por rentabilidade sobre volume. A conclusão da venda depende da aprovação do CADE; a companhia manterá o mercado informado sobre os próximos passos.

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