Na terça-feira, 2 de setembro de 2025, a Raízen informou que a Cosan, uma das acionistas controladoras ao lado da Shell, está avaliando potenciais investidores para uma eventual transação de capitalização na companhia, nos termos da Resolução CVM nº 44. O tema já havia sido mencionado na teleconferência de resultados recente. Sem aprovações ou eventos vinculantes, a administração reforçou que divulgações ocorrerão conforme a regulamentação. O anúncio, assinado pelo CFO e DRI Rafael Bergman, se encaixa no novo ciclo de simplificação do portfólio e reforço de capital apresentado no 1T25/26, que privilegia eficiência financeira, disciplina alocativa e preservação de rating enquanto a operação normaliza margens.
O movimento dá continuidade à estratégia anunciada, combinando reforço de balanço com redesenho de ativos para elevar retorno e reduzir alavancagem. Em 2025, a companhia vem executando reciclagem de capital e simplificação do footprint agroindustrial, numa lógica de concentrar crescimento onde há vantagem competitiva e ROIC superior. Esse vetor já apareceu na frente de desinvestimentos, como a venda das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo por R$ 1,543 bi, que reduz capex de manutenção, simplifica a operação e realoca recursos para projetos mais rentáveis. Uma capitalização, caso se materialize, funcionaria como complemento a esse blueprint, ampliando flexibilidade financeira e acelerando a desalavancagem.
Operacionalmente, a priorização de retorno sobre volume e a aposta em tecnologias de bioenergia ajudam a explicar por que um reforço de capital é avaliado agora: consolida a robustez de caixa para atravessar a volatilidade de safra e capturar margens em açúcar/etanol, enquanto prepara o terreno para escalar soluções de maior valor agregado. Esse racional dialoga com a queda de 20,7% na moagem e avanço do E2G na abertura da safra 2025/26, quando a Raízen compensou menor diluição de custos com ganho tecnológico e ajuste de mix. Em síntese, a avaliação de investidores pela Cosan e pela Shell é o próximo capítulo de uma agenda coerente: simplificar, fortalecer o balanço e financiar a próxima fase da transição energética sob a liderança da Raízen.







