A Raízen (RAIZ4) informou em 4 de setembro de 2025 que, em comum acordo com a FEMSA, encerrará a joint venture Grupo Nós por meio de troca de participações, sem pagamento. Pela divisão, a Raízen ficará com 1.256 lojas Shell Select e Shell Café, enquanto a FEMSA manterá 611 OXXO e o CD de Cajamar (SP), além das dívidas e do caixa do Grupo Nós. As lojas de conveniência passarão a operar prioritariamente no modelo de franquias integradas à rede de postos Shell, com o Grupo Nós prestando serviços de suprimentos e logística dentro de sua área de cobertura. O movimento foi apresentado como parte da agenda de “reciclagem e simplificação do portfólio”, reforçando a Oferta Integrada Shell e a captura de eficiência — continuidade do novo ciclo de simplificação do portfólio e reforço de capital apresentado no 1T25/26.

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Estratégicamente, a troca preserva a presença da Raízen na interface com o cliente de conveniência, reduz complexidade societária e acelera decisões comerciais, ao mesmo tempo em que evita a assunção de endividamento do Grupo Nós. A priorização do modelo de franquias tende a liberar capital, padronizar execução nas lojas e aumentar a captura de sinergias com combustíveis, lubrificantes e cafés, aproximando a proposta de valor do posto à conveniência. Esse passo também conversa com a disciplina alocativa demonstrada em 2025, quando a companhia avançou na venda das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo por R$ 1,543 bi para reciclar capital, reduzir capex recorrente e concentrar o parque em ativos de maior retorno.

Do ponto de vista financeiro e de governança, a reorganização da conveniência deve contribuir para foco operacional e preservação de liquidez, ao mesmo tempo em que simplifica estruturas e prepara a companhia para capturar retorno em frentes core — biocombustíveis, açúcar e distribuição — sem dispersão de capital. A depender do crivo do CADE e do cronograma de transição logística, o efeito combinado com iniciativas de reforço de balanço pode acelerar a trajetória de desalavancagem delineada ao longo do ano, em linha com a avaliação de potenciais investidores para uma eventual capitalização que vem sendo conduzida pelos acionistas de referência. Em síntese, a saída da JV não é um ponto fora da curva: consolida um desenho em que a Raízen privilegia controle da execução no varejo de conveniência, simplificação societária e melhor retorno sobre capital.

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