A Embraer fechou acordo com o LATAM Airlines Group para fornecer até 74 jatos E195-E2, sendo 24 pedidos firmes (avaliados em aproximadamente US$ 2,1 bilhões a preço de tabela) e 50 opções, com entregas a partir do 2º semestre de 2026. O plano pode habilitar até 35 novos destinos na malha, com início pela LATAM Airlines Brasil. Equipado com motores Pratt & Whitney GTF, aerodinâmica avançada e configuração 2-2, o E195-E2 combina menor consumo por assento e conforto, fortalecendo a estratégia de right-sizing de frota e malha na América do Sul. Este movimento consolida a ofensiva comercial recente da família E2, exemplificada pelo pedido firme de 50 E195-E2 da Avelo nos EUA.
Na prática, o encaixe do E195-E2 entre turboélices e narrowbodies maiores amplia frequências com melhores unit economics, viabiliza rotas “thin” e eleva a flexibilidade dos hubs da LATAM. Desde 2021, a rede do grupo cresceu de 129 para 160 destinos e a frota alcançou 362 aeronaves — contexto no qual o E2 tende a acelerar penetração doméstica e regional ao mesmo tempo em que preserva a “Política Financeira” da companhia aérea, conforme indicado no comunicado, sem expectativa de mudanças.
Para a Embraer, o acordo acrescenta visibilidade de receitas a partir de 2026, reforçando a cadência industrial e a monetização do ciclo de vida em Serviços & Suporte. O anúncio dá continuidade ao momentum observado na carteira recorde de US$ 29,7 bilhões e guidance reiterado no 2T25, quando a fabricante destacou aceleração de entregas e margens. À medida que a base instalada de E-Jets se expande na região, abrem-se vetores adicionais de MRO e treinamento, inclusive com sinergias na cadeia GTF, aumentando a recorrência e a resiliência do mix. Além disso, a distribuição temporal das entregas (a partir do 2º semestre de 2026) suaviza o ramp-up, reduz riscos de execução e sustenta poder de preço ao longo da fila. O E2 também melhora a compatibilidade com aeroportos restritos, fator crítico para desbloquear destinos secundários e capturar demanda incremental, especialmente em mercados domésticos brasileiros de média densidade e fora dos grandes eixos.
Por fim, a ênfase do comunicado da LATAM em manter sua Política Financeira dialoga com a postura de disciplina de comunicação da Embraer — separar ambição de metas formais. Essa coerência foi reiterada no esclarecimento de que a meta de US$ 10 bilhões em receita é aspiracional e não guidance. Assim, o novo contrato reforça a tese de crescimento com previsibilidade: pipeline robusto, execução faseada e governança de disclosure, enquanto investidores acompanham a conversão das 50 opções, a alocação de slots e a preparação da cadeia para o início das entregas.







