Na sexta-feira, 19 de setembro de 2025, a Eneva (ENEV3) informou ter recebido, em 18 de setembro, correspondência da GQG Partners indicando que carteiras de clientes sob sua gestão passaram a deter exposição a 100.076.800 ações ordinárias da companhia, o equivalente a 5,17% do total de ON emitidas. O comunicado foi feito nos termos do artigo 12 da Resolução CVM 44/21. A gestora, registrada na SEC, destacou possuir poderes de voto em nome de alguns clientes, mas afirmou tratar-se de investimento minoritário, sem objetivo de alterar o controle ou a estrutura administrativa. No Brasil, a Citibank DTVM figura como representante legal, e o documento é assinado por Marcelo Habibe, diretor financeiro e de RI.
A entrada da GQG consolida o redesenho da base acionária em 2025, marcado por maior liquidez, disponibilidade de papéis para aluguel e combinação de estratégias long-only com books relativos. Essa dinâmica já aparecia na comunicação da BWGI em 22 de agosto, quando reportou 9,44% com vendas à vista combinadas a empréstimo de ações e destacou o reforço do free float. Ao atrair uma gestora global com mandato declarado de investimento minoritário e sem intenção de influenciar o controle, a Eneva reforça a institucionalização de sua base. Esse movimento tende a conviver com ajustes táticos de outros players, compondo um registro mais líquido e diversificado, sem sinalizar ativismo. Dentro dessa mesma sequência de reequilíbrio, houve atualização poucos dias depois que evidencia a gestão ativa de exposição por parte de investidores relevantes, com a queda para 4,01% anunciada em 17 de setembro, incluindo posições vendidas em swap e movimentos de empréstimo de ações.
Em paralelo ao rearranjo da base, o pano de fundo de fundamentos ajuda a explicar o interesse institucional. Ao longo de 2025, a companhia acelerou desalavancagem, antecipou contratos de reserva de capacidade e viu o despacho térmico por ordem de mérito se fortalecer, elevando previsibilidade de caixa. Esse arcabouço reduz percepção de risco, amplia o universo de potenciais compradores e sustenta a tese para investidores globais que buscam qualidade de fluxo e governança. Os números do 2T25 de inflexão operacional, com EBITDA recorde e Dívida Líquida/EBITDA em 2,71x ancoram essa leitura, sugerindo que a combinação de melhora estrutural e maior liquidez seguirá moldando um free float mais profundo, no qual participações relevantes como a da GQG coexistem com estratégias relativas sem implicações de controle.







