Nesta sexta-feira, 22 de agosto de 2025, a Eneva (ENEV3) informou ter recebido correspondência da BW Gestão de Investimentos Ltda. comunicando que os fundos Eneva FIA e Monterey FIA venderam e efetuaram o empréstimo de ações ordinárias da companhia e passaram a deter, em conjunto, 182.537.941 ações, equivalentes a aproximadamente 9,44% do capital social. A gestora detalhou a manutenção de posições vendidas referenciadas em ENEV3 — swap com liquidação financeira totalizando 1.185.600 ações e empréstimo de ações (posição doadora) somando 15.774.023 ações — e declarou não ter intenção de alterar o controle ou a administração. O comunicado atende ao artigo 12 da Resolução CVM 44 e é assinado pelo diretor financeiro e de relações com investidores, Marcelo Habibe.
Para o investidor, o movimento se insere em uma janela de maior liquidez e reorganização acionária da companhia ao longo de 2025. Em maio, a Eneva viabilizou a antecipação dos contratos de reserva de capacidade e ainda ativou a emissão de 4,4 milhões de novas ações ao BTG Pactual, decorrente de bônus de subscrição, como parte da transação de Gera Maranhão; essa etapa está detalhada na antecipação de contratos e emissão de 4,4 milhões de ações vinculada à aquisição dos ativos do BTG. Esse reforço no free float e a maior disponibilidade de papéis para aluguel tendem a facilitar estratégias de hedge, arbitragem e posições relativas por gestores, ajudando a explicar a combinação de vendas no mercado à vista e empréstimo de ações mencionados pela BWGI.
Além da agenda societária, a reprecificação de risco da ação dialoga com a inflexão operacional recente: no 2T25, a companhia reportou EBITDA recorde, melhora expressiva do resultado financeiro e avanço na desalavancagem, criando maior previsibilidade de caixa com contratos antecipados e novos CVUs. Esses vetores estão sintetizados no 2T25 de inflexão operacional, com EBITDA recorde e Dívida Líquida/EBITDA recuando para 2,71x. Em cenários assim, é comum a construção de books long/short e o uso de derivativos e empréstimo de ações para calibrar exposição setorial e de fatores, sem necessariamente sinalizar ativismo ou mudanças de controle.
Por fim, a fotografia acionária também reflete a limpeza de pendências de M&A que vinham desde ciclos de expansão anteriores. Em junho, a empresa encerrou as obrigações contingentes da aquisição da Focus Energia, concluindo pagamentos e simplificando o legado da combinação de negócios, como descrito no encerramento do pagamento contingente da aquisição da Focus Energia. Com a estrutura de capital mais clara e projetos em execução, disclosures como o de hoje tendem a mapear ajustes táticos de investidores relevantes, mais do que uma mudança no rumo estratégico.







