Na quarta-feira, 17 de setembro de 2025, a Eneva (ENEV3) informou que, em 16 de setembro, recebeu correspondência da BW Gestão de Investimentos Ltda. relatando que fundos sob sua gestão venderam e realizaram operações de empréstimo de ações e passaram a deter 77.609.028 ações ordinárias, equivalentes a cerca de 4,01% do capital social. A comunicação ocorreu nos termos do art. 12 da Resolução CVM nº 44. A gestora declarou não ter intenção de alterar o controle acionário ou a estrutura administrativa. Os fundos mantêm posições referenciadas em ENEV3: swap com liquidação financeira (posição vendida) equivalente a 1.185.600 ações; empréstimo de ações (posição doadora) de 15.618.636 ações; e empréstimo de ações (posição tomadora) de 3.600.000 ações. As ações não estão vinculadas a acordo de acionistas, e o comunicado é assinado por Marcelo Habibe, CFO e DRI.

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Este movimento dá continuidade à sequência de ajustes táticos de um investidor relevante e reforça a transparência da base acionária. Em 22 de agosto, a companhia já havia divulgado a comunicação da BWGI relatando participação de 9,44% e detalhando vendas à vista combinadas com aluguel de ações e posições vendidas. A queda do patamar de 9,44% para 4,01% em menos de um mês sinaliza gestão ativa de exposição via bolsa, derivativos e empréstimo, sem pretensão de influenciar controle — ponto reiterado em ambos os comunicados. O pano de fundo é um 2025 de maior liquidez dos papéis, com aumento do free float e maior disponibilidade para aluguel, favorecendo estratégias de hedge, arbitragem e books long/short típicos de gestores que acompanham ciclos de geração térmica e preços de energia.

Do lado operacional, o redesenho das posições acontece em paralelo à virada de fundamentos da companhia ao longo de 2025: retomada do despacho térmico por ordem de mérito, antecipação de contratos de reserva de capacidade e avanço na desalavancagem, o que melhora previsibilidade de caixa e reduz risco percebido. Esse ambiente tende a ampliar a base de investidores e intensificar operações relativas (short/borrow/doação), sem, por si só, indicar ativismo. Os números do 2T25 de inflexão operacional, com EBITDA recorde, melhora do resultado financeiro e Dívida Líquida/EBITDA em 2,71x ajudam a explicar a maior negociação e a procura por instrumentos referenciados em ENEV3, compondo a narrativa de reequilíbrio entre fundamentos, liquidez e posicionamento tático dos grandes players.

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