A Natura (NATU3) firmou acordo vinculante para vender os negócios da Avon em seis países da América Central e Caribe (Avon CARD) ao Grupo PDC por valor nominal de US$ 1, mais o recebimento, no fechamento, de um crédito de US$ 22 milhões referente à Avon Guatemala. O desenho preserva a relação comercial e a presença de marca: a Natura seguirá fornecendo produtos acabados e licenciando a marca Avon na região. O fechamento depende de reorganização societária local e é esperado até 30 de outubro de 2025, reforçando a mensagem de foco na integração Natura + Avon na América Latina e na simplificação do portfólio.

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Este movimento consolida a estratégia explicitada nos resultados recentes, quando a companhia orientou disciplina de custos e classificou a operação internacional da Avon como não core. Na prática, a transação avança a execução da guidance de expansão de margem e a reclassificação da Avon International (incluindo a CARD) como ativo mantido para venda no 2T-25. Ao optar por um modelo asset-light (licenciamento + fornecimento), a Natura reduz complexidade operacional e capital empregado na região, preservando escala industrial e captura de margem via produção, além de monetizar um recebível relevante. O cronograma até o fim de outubro dialoga com a Onda 2 de integração já concluída no México e em curso em outros mercados, sinalizando que desinvestimentos seletivos caminham em paralelo à consolidação da plataforma latino-americana.

Além do racional econômico, a companhia vem blindando a execução com estabilidade de governança para atravessar etapas decisivas de simplificação. Esse arcabouço foi reforçado pela prorrogação do Acordo de Acionistas até 31/10/2025, que reduz ruídos enquanto avança a transferência fabril, as integrações de sistemas e a avaliação de alternativas estratégicas para ativos não essenciais. Em termos de tese, a venda da Avon CARD confirma a priorização de mercados onde a Natura tem maior vantagem competitiva e sinergias comerciais, ao mesmo tempo em que libera gestão e caixa para acelerar iniciativas de eficiência operacional e desalavancagem.

Em pano de fundo, a reação da base acionária tem refletido uma narrativa de execução, e não de ruptura, com investidores ajustando exposição conforme marcos são entregues. Exemplo disso foi a ultrapassagem de 10% pela Dynamo e o contexto de execução (Onda 2, simplificação do portfólio), interpretada como ajuste técnico em um período de virada operacional. A venda da Avon CARD, ao transformar uma operação intensiva em capital em um fluxo recorrente de fornecimento e royalties, reforça esse vetor de qualidade dos resultados e sustenta a história de expansão de margem ancorada em foco regional e portfólio mais enxuto.

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NATURA COSMETICOS S.A.NATU3