A divulgação do 2T25 marca o primeiro trimestre completo da Oi sem receitas de Fibra e TV, após a venda em fevereiro, e explicita a fotografia da “Nova Oi”: receita líquida das operações continuadas no Brasil de R$ 684 milhões, EBITDA de rotina de -R$ 98 milhões (margem -14,3%), capex de R$ 41 milhões, dívida bruta a valor justo de R$ 11,2 bilhões e caixa de R$ 1,2 bilhão após consumo de R$ 300 milhões. Na comparação sequencial, a receita cresceu 8,4%, sustentada por melhora operacional, mesmo com itens não recorrentes de R$ 209 milhões e resultado financeiro líquido negativo de R$ 353 milhões. Essa leitura já havia sido preparada pelo adiamento do ITR do 2T25 e divulgação de números preliminares que antecipavam o novo escopo e a melhora sequencial do EBITDA, esclarecendo a retirada integral de Fibra/TV da base de comparação e orientando o investidor para métricas mais limpas do core.

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Do lado estratégico, a companhia reforça a disciplina de caixa ao priorizar o negócio remanescente, enquanto acelera a desmobilização do legado e a migração de clientes para soluções digitais. Esse foco operacional conversa com a simplificação societária e com a decisão de manter exposição indireta à infraestrutura por meio da V.tal, sem novos aportes, movimento evidenciado pela redução da participação na V.tal para aproximadamente 27,26% em 12/8. Ao não acompanhar a subscrição, a Oi preserva liquidez para atravessar 2025, concentrando capex em frentes de maior retorno e clarificando a leitura do desempenho da Oi Soluções, Subsidiárias Nacionais e Legado & Atacado, que tiveram dinâmicas distintas no trimestre.

No pilar jurídico-financeiro, a empresa reporta apoio de credores via capitalização de 100% dos juros de junho/25 das Notas Sênior e Debêntures 13ª (2027), medida que reduz desembolsos imediatos e mitiga o funding gap mencionado pela administração. Em paralelo, a agenda judicial protege a execução do aditamento apresentado em julho e estabiliza o caixa, com decisões recentes que estenderam a blindagem e organizaram o calendário de negociações. Esse cenário dá continuidade à prorrogação da suspensão da exigibilidade de obrigações até a apreciação do aditamento ao plano, oferecendo previsibilidade para a transição operacional, isolamento de riscos nas subsidiárias e manutenção de serviços essenciais, enquanto o fluxo operacional (EBITDA – capex) ainda é negativo em R$ 139 milhões no trimestre.

No mercado de capitais, a governança acompanha a reestruturação. Para enfrentar o micropreço e ampliar a elegibilidade institucional, o Conselho aprovou submeter à AGE de 29/09 o grupamento de ações na proporção de 25:1 aprovado pelo Conselho em 27/8. A medida conversa com a busca por uma base acionária de longo prazo, reduz ruídos de volatilidade e melhora a leitura de preço enquanto a companhia endereça o funding gap, negocia com credores e avança na conclusão da desmobilização do legado ao longo de 2025. Em síntese, os números do 2T25 mostram a convergência entre foco operacional, preservação de liquidez e estabilização institucional — pilares para a execução da “Nova Oi” no segundo semestre.

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