Em 12 de agosto de 2025, a Oi informou a redução de sua participação na V.tal para aproximadamente 27,26% do capital votante e total. A queda decorre da emissão de 331.192.973 novas ações pela V.tal, aprovada após o exercício de bônus de subscrição da Série D por fundos ligados ao BTG Pactual. Segundo a Oi, a operação está prevista nos mecanismos de ajuste de preço da alienação da UPI Client Co e dá continuidade ao fato relevante de 5 de março.
Estratégicamente, a diluição sem aporte da Oi aponta para disciplina de caixa e foco no core, evitando novas alocações em um ativo de capital intensivo. Essa postura é consistente com a capitalização dos juros com vencimento em junho de 2025, medida que privilegiou liquidez durante a execução do plano. Ao não acompanhar a subscrição na V.tal, a companhia preserva recursos para estabilização operacional, mantendo uma participação relevante que a expõe a potenciais ganhos futuros sem comprometer o caixa no curto prazo. O movimento também reforça a separação entre os negócios de infraestrutura de fibra e a Nova Oi de serviços, reduzindo sobreposições de investimento e clarificando a leitura dos resultados recorrentes.
Esse processo de “desacoplamento” já vinha aparecendo nos números: no 2º trimestre, a companhia indicou trimestre integralmente sem receitas de Fibra e TV, além da postergação do ITR para refletir mudanças estruturais e revisão de auditoria, como descrito nos dados preliminares do 2T25 e no adiamento do ITR. A redução da fatia na V.tal, portanto, consolida a reorganização societária e a transparência contábil, ao mesmo tempo em que facilita a gestão de indicadores operacionais focados no escopo remanescente da Nova Oi.
No plano financeiro, a decisão conecta-se à trajetória de reequilíbrio de passivos e cronograma de pagamentos, reduzindo tensões de caixa em meio à execução do plano e da simplificação societária. Em linha, a Oi buscou recalibrar condições com credores por meio do aditamento ao plano de recuperação judicial protocolado em julho, cujo objetivo foi ampliar fôlego para a fase de consolidação da Nova Oi. Ao concentrar capex e esforços no negócio remanescente, a empresa aprofunda a tese de foco operacional, enquanto mantém opcionalidade via participação minoritária na V.tal, com governança compartilhada e alinhamento de longo prazo com os investidores financeiros da rede.
Em paralelo, a blindagem do core por meio de medidas societárias complementares reforça o desenho de “núcleo enxuto + participação estratégica em infraestrutura”. Isso ficou claro no pedido de recuperação judicial das subsidiárias Serede e Brasil Telecom Call Center, que isolou riscos operacionais específicos e permitiu priorizar caixa e serviços essenciais. A etapa atual, ao ajustar a participação na V.tal sem desembolso, aparece como sequência lógica: preservar liquidez, manter exposição estratégica e acelerar a normalização da Nova Oi.







