Nesta quarta-feira, 27 de agosto de 2025, a Oi (OIBR3, OIBR4) informou em fato relevante que o Conselho de Administração aprovou submeter à AGE de 29.09.2025 o grupamento de todas as ações ordinárias e preferenciais na proporção de 25:1. O objetivo é enquadrar a cotação em valor igual ou superior a R$ 1,00 por unidade, conforme o artigo 46 do Regulamento de Emissores da B3, além de atrair investidores institucionais e recompor a liquidez. Se aprovado, o capital social, hoje dividido em 330.121.738 ações, passará a 13.137.224 ações (13.080.643 ON e 56.581 PN), todas nominativas e sem valor nominal. No programa de ADSs, não haverá grupamento, mas ajuste de paridades: cada ON representará 5 ADSs ON e cada PN, 5 ADSs PN. Após a AGE, haverá prazo mínimo de 30 dias para ajuste de posições em múltiplos de 25; frações serão consolidadas e vendidas em leilões na B3, com repasse proporcional aos acionistas.

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Do ponto de vista estratégico, o grupamento é um capítulo de governança de mercado na trajetória de reestruturação da Nova Oi. Ao elevar o preço unitário e ampliar a elegibilidade para mandatos institucionais, a companhia busca reduzir o risco de deslistagem por penny stock e fortalecer a liquidez negociada. O movimento dá continuidade à readequação de passivos e de cronogramas de pagamento definida no aditamento ao plano de recuperação judicial protocolado em julho, que já endereçava a necessidade de fôlego financeiro enquanto a companhia lidava com a pressão regulatória da B3 por preço mínimo até novembro de 2025 e avançava na simplificação societária. Em síntese, o ajuste de capital social via reverse split conversa com a engenharia financeira do plano: menos dispersão no book, maior atratividade de base acionária e melhor leitura de preço.

Além disso, a medida tenta estabilizar o comportamento do papel, afetado por episódios de forte volatilidade em 2025. Diferentemente do observado em julho, quando as oscilações atípicas levaram a questionamentos da B3, o grupamento ataca uma causa estrutural de micropreço que dificulta a formação de mercado e aumenta a sensibilidade a fluxos de curtíssimo prazo. Ao concentrar lotes e ajustar parâmetros operacionais (tick size, margens, elegibilidade), a Oi tenta pavimentar um ambiente mais previsível para execução do plano e comunicação com investidores, reduzindo ruídos táticos que pouco refletem a evolução operacional do core. Com isso, a companhia busca converter volatilidade especulativa em liquidez qualificada, favorecendo a participação de investidores com mandato de longo prazo.

Por fim, o passo no front de mercado financeiro se encaixa na agenda de estabilização institucional e operacional de agosto, quando a companhia obteve a suspensão temporária da exigibilidade de obrigações e blindagem patrimonial para calibrar o aditamento já homologado e preservar serviços essenciais. Enquanto a tutela judicial cria tempo e previsibilidade para a transição operacional e negociações com credores, o grupamento procura assegurar conformidade com a B3 e atrair capital de longo prazo. Juntos, esses movimentos indicam que a Oi coordena frentes jurídica, financeira e de mercado para sustentar a execução da Nova Oi no segundo semestre, com foco em liquidez, governança e perfil de investidor.

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