Em fato relevante de 11 de agosto de 2025, a Oi (OIBR3, OIBR4) adiou a divulgação do ITR do 2T25 de 14 para 28 de agosto, alegando impactos na elaboração do documento e na revisão limitada do auditor, a fim de garantir informações “precisas, consistentes e completas”. Para mitigar a postergação, antecipou dados preliminares e não auditados: receita líquida de R$ 684 milhões e EBITDA de rotina de (R$ 98 milhões), versus R$ 1.434 milhões e (R$ 445 milhões) no 1T25. Na Nova Oi, a receita foi de R$ 684 milhões e o EBITDA de rotina de (R$ 98 milhões), ante R$ 631 milhões e (R$ 261 milhões) no 1T25. A companhia destacou que o trimestre está integralmente sem receitas de Fibra e TV, afetando a comparabilidade. Os números seguem sujeitos à conclusão das análises pelos auditores.

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O movimento dá continuidade à estratégia anunciada desde 2024 e, mais recentemente, ao redesenho jurídico-financeiro de 2025. O adiamento está ligado aos eventos tratados no fato relevante de 1º de julho e se alinha ao aditamento ao plano de recuperação judicial protocolado em julho, que buscou readequar o cronograma e as condições de pagamento aos credores para preservar liquidez, após a aprovação do plano em abril de 2024 e a homologação em maio. Em termos práticos, a postergação do ITR cria espaço para refletir nos demonstrativos os efeitos das mudanças estruturais e assegurar que a revisão do auditor capture com precisão eventuais reclassificações, premissas e divulgações exigidas pelo processo de reestruturação.

Pelo lado operacional, os dados preliminares sugerem duas forças atuando em sentidos opostos: a retirada das receitas de Fibra e TV comprime a base de comparação da receita total, enquanto a Nova Oi mostra ganho de eficiência, com melhora no EBITDA de rotina de (R$ 261 milhões) para (R$ 98 milhões). Este resultado consolida a virada operacional iniciada com foco no core, e é coerente com a separação entre negócios rentáveis e ativos que exigem reorganização, como evidenciado pelo pedido de recuperação judicial das subsidiárias Serede e Brasil Telecom Call Center. A medida nas controladas protege a operação central e sinaliza a priorização de caixa e serviços essenciais, condição necessária para a estabilização operacional e a continuidade de investimentos no escopo remanescente.

No eixo financeiro, os números preliminares chegam em paralelo a uma agenda de preservação de liquidez. A decisão de não desembolsar caixa e optar pela capitalização dos juros com vencimento em junho de 2025 reforça essa diretriz e dá fôlego para a companhia atravessar o período de ajustes do plano, manter o alinhamento com credores e suportar a transição contábil decorrente do aditamento. Assim, a divulgação do ITR em 28/8 tende a ser um marco importante para validar, com auditoria, a evolução da Nova Oi: menor escopo, comparabilidade mais limpa e disciplina de custos — elementos-chave para monitorar a trajetória de recuperação e a execução do plano ao longo do segundo semestre.

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