Nesta terça-feira, 12 de agosto de 2025, a Americanas (AMER3), em recuperação judicial, informou que retomou o processo de market sounding para prospectar interessados na aquisição da unidade de negócio Hortifruti Natural da Terra (HNT). A medida, prevista no Plano de Recuperação Judicial protocolado em 20 de março de 2023, estabelece a alienação da HNT por meio de processo competitivo, conforme a Lei 11.101/2005. Em termos estratégicos, o movimento sinaliza a execução de monetização de ativos não essenciais para reforçar liquidez e reequilibrar a estrutura de capital, preservando o foco no varejo físico rentável e no relacionamento omnicanal.

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Este passo dá continuidade à frente financeira que vem destravando caixa e reduzindo passivos desde iniciativas recentes. Em julho, a companhia comunicou um acordo de mais de R$ 500 milhões em descontos fiscais com a PGFN, com efeitos a serem refletidos nas demonstrações do 2T25. A alienação da HNT, prevista no PRJ, funciona como etapa seguinte dessa agenda: converte ganhos financeiros e contábeis em liquidez operacional, simplifica o portfólio, reduz a necessidade de capital de giro e amplia a capacidade de cumprir obrigações da RJ, mantendo a disciplina de capital e a priorização de margens no canal físico e no ecossistema O2O.

Na operação, os números mais recentes já sinalizam essa virada: no 1º semestre de 2025, a Americanas reportou melhora do EBITDA ajustado, avanço de vendas em mesmas lojas e posição de caixa líquido, com SG&A em diluição e uma estratégia digital mais seletiva. A decisão de prosseguir com a venda da HNT é coerente com o redesenho operacional descrito naquele balanço — menos dispersão de capital, otimização do parque de lojas e foco em rentabilidade — e tende a aliviar a pressão do resultado financeiro ao longo da execução do PRJ. Além disso, a monetização de um ativo especializado reforça a alocação de recursos para iniciativas core, como a Plataforma de Clientes e Parceiros e o fortalecimento do relacionamento omnicanal, enquanto o marketplace permanece mais seletivo para proteger margens.

Do lado societário, a retomada do processo competitivo também dialoga com a normalização de rotinas de mercado observada nos movimentos recentes da companhia, como o aumento de capital via exercício de bônus de subscrição aprovado em julho de 2025. Em conjunto, esses marcos mostram a transição do desenho do plano para a execução: ajuste de passivos, reforço de caixa e desinvestimentos seletivos que sustentam a recuperação judicial, reancorando a tese na disciplina de capital e na eficiência operacional.

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