Terça-feira, 12 de agosto de 2025 — A Americanas (AMER3) reportou no 1º semestre de 2025 prejuízo de R$ 594 milhões sobre receita líquida de R$ 6,901 bilhões e EBITDA ajustado de R$ 309 milhões. Em bases comparáveis, o EBITDA ajustado ex-IFRS 16 ficou em R$ -170 milhões, melhora frente os R$ -237 milhões do 6M24. As vendas em mesmas lojas avançaram 11,8%, enquanto o GMV total foi de R$ 9,327 bilhões, com crescimento de 4,3% no varejo físico e retração no marketplace, em linha com a estratégia digital centrada em O2O. A Páscoa trouxe recorde de cerca de R$ 1,2 bilhão e SSS de ~16%, e a Plataforma de Clientes e Parceiros cresceu mais de 22%.
A margem bruta alcançou 28,7% (29,4% pro forma) e as despesas de SG&A diluíram para 29,7% da receita, enquanto outras receitas/despesas operacionais somaram +R$ 337 milhões por efeitos de acordos tributários e créditos extemporâneos. Essa frente é continuidade do acordo de mais de R$ 500 milhões em descontos fiscais com a PGFN, cujos impactos foram direcionados às demonstrações do 2T25 e reforçam a liquidez para sustentar a reorganização. O período terminou com caixa líquido de R$ 103 milhões (dívida bruta de R$ 1,883 bi vs. disponibilidades de R$ 1,986 bi) e resultado financeiro ainda pressionado em R$ -238 milhões, mitigado pela 22ª emissão de debêntures (séries a 128% do CDI e USD+8,35%, bullet, com 24 meses de carência). Na operação, a companhia intensifica o reposicionamento: digital como extensão do relacionamento, marketplace mais seletivo, descontinuidade da Ame Digital e otimização do parque de lojas (40 fechamentos no semestre), além do lançamento iminente de um programa de fidelidade para acelerar o engajamento omnicanal.
Do lado societário, a execução segue o plano de recuperação: o aumento de capital via exercício de bônus de subscrição aprovado em julho de 2025, embora simbólico em valor, sinalizou normalização de rotinas de mercado e alinhamento entre credores e acionistas. A combinação de limpeza do passivo (incluindo menor exposição a risco sacado, de R$ 126 milhões), foco em rentabilidade do físico e monetização da Plataforma de Clientes sustenta a leitura de que este semestre consolida a transição do “crescimento a qualquer custo” para a disciplina de capital e O2O, com metas táticas (SSS, margem e SG&A) convergindo para a recuperação estrutural.







