A Taurus (TASA3, TASA4) reportou no 2T25 receita líquida de R$ 402,4 milhões, Ebitda de R$ 49,2 milhões (margem de 12,2%) e lucro líquido de R$ 33,2 milhões. A margem bruta atingiu 38,0% com lucro bruto de R$ 152,8 milhões. Na comparação anual, a receita ficou praticamente estável (-1,3%), com melhora de 5,9% no lucro bruto; já o Ebitda recuou 14,9%. Em relação ao 1T25, houve forte normalização: lucro subiu 78,5% e Ebitda avançou 602,9%. A produção foi de 240 mil armas (vendas de 260 mil, sendo 216 mil nos EUA), e a dívida líquida encerrou em R$ 607,8 milhões.

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Este balanço reforça a virada operacional trimestre a trimestre após um início de ano pressionado. Diferentemente do 1T25, quando a empresa enfrentou a queda de 22,2% na receita no 1T25 com a implementação do SAP nos EUA, o 2T25 mostrou redução de 5,3% no custo dos produtos vendidos, avanço de margem bruta e recomposição do Ebitda, sustentados por eficiência industrial e maior estabilidade de execução.

Operacionalmente, armas e acessórios responderam por 90,7% da receita (R$ 364,8 milhões), com EUA mantendo a maior participação. Mesmo com a tarifa de 10% aplicada a partir de abril, a companhia optou por absorver o impacto sem repasse imediato para preservar volumes e relacionamento comercial. O plano anunciado inclui reforço de estoques locais, ajuste de preços de transferência e transferência de dispositivos e linhas da família G para a fábrica americana, além de estudos para ampliar a capacidade nos EUA. No Brasil, a empresa espera sinais de retomada a partir do 3T25 com a migração das competências de controle de armas para a Polícia Federal.

O ambiente externo segue desafiador. Em julho, a companhia já havia sinalizado ao mercado a “tarifa de 50% anunciada pelos EUA” como vetor de volatilidade para o papel, reforçando o risco sobre exportações. As medidas anunciadas no release do 2T25 — expansão da capacidade nos EUA, redesenho da cadeia de transferência e tratativas diplomáticas — materializam a resposta tática a esse cenário e tendem a reduzir a exposição cambial e logística ao longo do segundo semestre.

Na frente de expansão internacional, a Taurus calibrada pela disciplina de capital dá continuidade à estratégia de diversificação. O encerramento das negociações da joint venture na Arábia Saudita indica seletividade por projetos com demanda contratada e melhor visibilidade de retorno. Em paralelo, o mapeamento de licitações no exterior e o fortalecimento da unidade norte-americana configuram uma estratégia dual: ampliar presença global sem perder o foco no principal motor de geração de caixa, o mercado dos EUA.

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