A Casas Bahia (BHIA3) anunciou na quinta-feira, 5 de junho de 2025, um amplo plano de reestruturação de capital que prevê a conversão de R$ 1,566 bilhão em debêntures da 2ª série em ações ordinárias da companhia. A medida faz parte de um "Plano de Transformação da Estrutura de Capital" que visa otimizar o endividamento e melhorar a liquidez da varejista, endereçando diretamente os desafios financeiros evidenciados no primeiro trimestre de 2025, quando a empresa registrou prejuízo de R$ 408 milhões e manteve elevada alavancagem financeira.
Se implementada integralmente, a conversão resultará na emissão de 328,952,885 novas ações, representando 77,58% do capital social total da empresa. Com isso, os atuais acionistas terão sua participação diluída para apenas 22% do capital, enquanto os detentores das debêntures conversíveis passarão a controlar 78% da companhia.
O plano também inclui o reperfilamento das debêntures da 1ª série, postergando o primeiro pagamento de juros de novembro de 2026 para novembro de 2027. Essa medida deve gerar aproximadamente R$ 400 milhões de fluxo de caixa adicional nos próximos 24 meses, enquanto a transformação da estrutura como um todo proporcionará economia anual estimada em R$ 230 milhões em despesas financeiras. Este reforço de caixa complementa os recursos obtidos através da vitória judicial definitiva que garantiu R$ 632 milhões em créditos tributários, fortalecendo significativamente a posição financeira da companhia.
Com a reestruturação, a dívida líquida da Casas Bahia cairá dos atuais R$ 3,374 bilhões para R$ 1,807 bilhão, reduzindo significativamente a alavancagem da empresa de 1,6x para 0,8x o EBITDA. O índice de dívida líquida sobre patrimônio líquido mais dívida também melhorará de 61,8% para 33,1%, representando uma transformação radical na estrutura de capital que a empresa vinha buscando implementar.
A conversão das debêntures da 2ª série foi antecipada de outubro para junho de 2025, com 99,99% dos debenturistas já manifestando apoio à medida. As novas ações terão cronograma de lock-up escalonado, começando com liberação de 10% no trimestre da conversão e chegando a 100% após 16 meses. A implementação do plano depende ainda da aprovação do Conselho de Administração, marcada para 12 de junho, e de assembleia geral de debenturistas prevista para 30 de junho. A execução desta estratégia complexa conta com a continuidade da diretoria recentemente reeleita para mandato até 2027, garantindo estabilidade na gestão durante este período crítico de transformação corporativa.







