A Paranapanema (PMAM3), em recuperação judicial, informou nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, que firmou com credores o Acordo de Liquidação Parcial do Acordo Global para liquidar parcialmente dívidas vencidas de aproximadamente R$ 4,2 bi, estruturadas originalmente em 2017. Segundo a companhia, o endividamento financeiro, aliado à alta alavancagem, dependência de capital de giro, volatilidade cambial e do preço do cobre, aumento do custo financeiro e baixa geração de caixa, levou à deterioração operacional e ao pedido de recuperação judicial.
O acordo prevê que até 1º de julho de 2026 sejam realizados o pagamento de R$ 100 mi, a transferência aos credores de valores em conta vinculada estimados em R$ 41 mi e de cerca de R$ 185 mi depositados em conta judicial, além da cessão integral dos benefícios econômicos de 9 direitos creditórios judiciais, a serem monetizados em até 36 meses. Esses recursos serão centralizados em conta vinculada e distribuídos conforme percentuais previamente acordados, com a empresa se comprometendo a usar os melhores esforços para viabilizar a monetização dos créditos judiciais e repassar integralmente aos credores os valores líquidos obtidos.
Em contrapartida, após o cumprimento das condições e pagamentos previstos, os credores concederão quitação parcial de aproximadamente R$ 3,9 bi da dívida, reduzindo o saldo devedor para cerca de R$ 327,4 mi e liberando a maior parte das garantias, que passarão a se restringir aos 9 direitos creditórios judiciais. A dívida remanescente de R$ 327,4 mi será amortizada exclusivamente com os recursos gerados por esses créditos em até 3 anos e, caso o saldo não seja totalmente liquidado ao fim desse prazo, será considerado definitivamente quitado, sem novos desembolsos de caixa pela companhia.
O Acordo de Liquidação Parcial está sujeito a condições suspensivas relacionadas a homologações judiciais na execução em curso e na recuperação judicial, e prevê cláusula resolutiva em caso de inadimplemento ou não implementação tempestiva das obrigações; honorários de sucumbência discutidos em ação específica ficam fora da operação. A empresa afirma que a potencial liquidação de cerca de R$ 4,2 bi de seu principal passivo financeiro representa um evento com capacidade de alterar de forma relevante sua estrutura de capital e possibilidade de continuidade operacional.
Conforme as demonstrações financeiras de 2025, a Paranapanema encerrou o ano com patrimônio líquido negativo de aproximadamente R$ 7,5 bi, passivo circulante de R$ 7,3 bi e despesas financeiras superiores a R$ 1,3 bi, tendo o endividamento financeiro como principal fator de deterioração dos resultados e de restrição operacional. A companhia destaca que a redução da dívida e a liberação da maior parte das garantias podem melhorar a desalavancagem, reduzir despesas financeiras futuras, fortalecer o perfil de liquidez e ampliar a flexibilidade operacional e comercial, em linha com o crescimento de 22% da receita líquida, geração de caixa operacional positiva e redução de custos fixos observados no ITR do 4º trimestre de 2025.






