O Assaí (ASAI3) informou em carta enviada em 16 de abril de 2026 que pediu à Glass Lewis a revisão da recomendação de voto sobre o item de remuneração da Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária de 2026, após contestar a análise de aumento de 36,5% na remuneração fixa de executivos. Segundo a companhia, a comparação correta para o exercício de 2026, considerando a proposta de remuneração fixa de R$ 13.734.504 frente à proposta aprovada para 2025 de R$ 13.796.093, indica redução nominal de 0,4%, enquanto os valores realizados passaram de R$ 10.147.577 em 2024 para R$ 10.234.792 em 2025, alta de 0,9%.
A empresa argumenta que comparar valores propostos com valores realizados distorce a análise, pois a proposta representa apenas o limite máximo autorizável, historicamente acima do montante efetivamente pago, e cita efeitos extraordinários de 2025, como período sem vice-presidente de Finanças estatutário e custos relacionados à contratação do novo CFO e à saída prevista do vice-presidente Comercial em 2026. O Assaí afirma ainda que, em termos históricos, a remuneração fixa proposta para 2026 de R$ 12,5 milhões é inferior à de 2021, de R$ 19,1 milhões, e destaca que o valor realizado de remuneração total da diretoria tem ficado entre 4% e 37% abaixo do limite aprovado entre 2023 e 2025.
Sobre a remuneração variável, a companhia declara que divulga integralmente as métricas e pesos dos incentivos de curto prazo (ICP) e de longo prazo (ILP), como venda líquida, lucro líquido, EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) pré-IFRS 16, dívida líquida, indicadores ESG e retorno sobre capital investido (ROIC), mas mantém confidenciais os valores numéricos das metas por considerá-los derivados do orçamento anual. Segundo o documento, tornar públicos esses alvos seria equivalente a fornecer projeções financeiras antecipadas ao mercado e poderia gerar assimetria competitiva. O Assaí informa que o atingimento médio do ICP em 2025 foi de 102,94% de um máximo possível de 120%.
No campo de governança de remuneração, o Assaí reconhece que o ICP não tem mecanismo de diferimento obrigatório, mas ressalta que essa prática não é comum no Brasil e que o plano de incentivos de longo prazo ILP, que corresponde a 31,3% da remuneração proposta para 2026 (excluindo o Programa Sócio Executivo), cumpre função semelhante com prazos de vesting de 3 anos para diretores e 5 anos para o CEO. A empresa lembra ainda a existência de política de clawback para recuperação de remuneração variável em caso de reapresentação de demonstrações financeiras e de uma política de investimentos em ações que exige que o CEO mantenha ações equivalentes a 5 vezes sua remuneração fixa anual líquida e os demais diretores, 3 vezes.
A carta também lista ações de engajamento com investidores desde 2023, incluindo cinco ciclos de reuniões com acionistas e proxy advisors, reformulação do conselho de administração, ajustes na remuneração após rejeição de proposta em 2023, aprovação da Clawback Policy em 2023 e do novo modelo de remuneração em 2024, com redução do ICP, ampliação do ILP e criação do Programa Sócio Executivo. Com esses pontos, o Assaí reforça o pedido para que a Glass Lewis reavalie a recomendação de voto sobre a remuneração a ser deliberada na assembleia de 29 de abril de 2026.







