Nesta terça-feira, 20/01/2026, a Dexco (DXCO3) anunciou a venda de cerca de 1,2 milhão de m³ de madeira em pé a um player do setor, operação ainda sujeita ao crivo do CADE. Segundo a companhia, a transação é caixa-positiva e alinhada à desalavancagem. O volume decorre de maior produtividade das florestas e de aquisições que ampliaram o ativo florestal, sem afetar o maciço dedicado à produção de painéis de madeira; parte desse ativo adicional foi obtida com terras próprias como pagamento, que permanecem sob gestão e propriedade da Dexco. O movimento monetiza excedentes sem comprometer a autossuficiência florestal e dá continuidade à agenda de parcerias e captura de valor, iniciada e recentemente robustecida no fechamento da operação na Jatobá Florestal (jan/26), com entrada de ~R$ 200 mi e SPEs com parceiros.

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Do ponto de vista financeiro-operacional, a venda converte estoques biológicos em caixa, reforça a previsibilidade de curto prazo e preserva a capacidade industrial ao endereçar excedentes gerados por produtividade e aquisições, mantendo intacta a base necessária às fábricas de painéis. Esse arranjo dialoga com o desenho de capital que separa o funding florestal da holding e casa prazos com o ciclo da madeira, aumentando a resiliência de caixa e a flexibilidade para transações táticas. Essa arquitetura ganhou tração com a ampliação da 1ª emissão de CPR‑Fs para R$ 1,6 bi (prazo de 8 anos), reforçando funding dedicado ao negócio florestal. Ao casar a duração do financiamento com a rotação do ativo, a Dexco cria optionalidade para monetizar madeira excedente sem reduzir o maciço necessário à produção, preservando disciplina financeira e o foco em desalavancagem.

Em termos de estrutura de capital, este passo consolida o roteiro: primeiro reduzir custo e risco de refinanciamento; depois, destravar valor na base florestal com governança e horizonte de longo prazo. A geração imediata de caixa da venda de madeira se soma às medidas de liability management executadas no 4º tri de 2025, acelerando a queda de despesas financeiras e apoiando a trajetória de desalavancagem, a exemplo do resgate antecipado das Notas Comerciais (dez/25), que retirou R$ 300 mi de dívida acima do custo ideal. No conjunto, emerge um padrão consistente: arrumar o passivo e isolar o funding florestal; depois, monetizar excedentes e ampliar parcerias, mantendo autossuficiência de madeira para painéis, transparência com o mercado e gestão sustentável dos ativos, enquanto aguarda as aprovações concorrenciais do CADE.

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