Na leitura do 4T25, a CELESC reportou 7.051 GWh faturados, queda de 2,1% ante o 4T24 (7.205 GWh). O recuo esteve concentrado no mercado cativo (-4,2% para 3.526 GWh), enquanto os consumidores livres permaneceram estáveis (3.524 GWh). A composição setorial mostrou residencial em alta (+1,7% para 1.806 GWh) e industrial levemente positivo (+0,6% para 3.031 GWh), mas com forte migração do industrial cativo (-19,3% para 369 GWh) para o ambiente livre (+4,2% para 2.663 GWh). O número de unidades consumidoras cresceu 3,3% no total e 37,8% no segmento livre, reforçando a mudança estrutural do mix. No acumulado de 2025, o mercado total avançou 1,3% (29.849 GWh), com livres +7,7% e cativo -3,9%.
Este resultado confirma a tendência de maior participação do mercado livre e exige da companhia uma atuação comercial e operacional coerente com esse novo equilíbrio entre cativo e ACL. A evolução anual – total em alta, cativo em queda e livres em expansão – dá continuidade à narrativa estratégica de fortalecer qualidade, reduzir perdas e digitalizar processos, pilares que suportam a competição por clientes de maior porte e o atendimento a uma base mais granular de residenciais e comerciais. Essa direção foi explicitada na atualização do Plano Diretor 2026/2035, que já antecipava maior participação do mercado livre e balizou orçamento e alocação de capital.
Para transformar essa diretriz em execução, a CELESC ajustou a engrenagem organizacional no início de 2026. A redistribuição de atribuições entre diretorias, com a comercialização migrando para a Diretoria Administrativa e a centralização de planejamento/engenharia/obras, encurta ciclos de decisão e integra operação e atendimento — condição prática para gerir a migração ao ACL, ampliar a base de clientes e manter indicadores de qualidade sob controle. Em outras palavras, a mudança de mix observada nos volumes do 4T25 é atendida por uma organização preparada para decidir e entregar mais rápido, como consolidado nas alterações do Estatuto Social aprovadas em 19/01/2026 que reorganizaram a comercialização e integraram operação e serviços.
Do lado de investimentos, a expansão de unidades e a discrepância entre cativo e livre exigem rede mais robusta, medição moderna e TI para suportar atendimento, faturamento e combate a perdas. O recuo em segmentos como comercial e rural no trimestre, combinado ao avanço residencial e industrial no ACL, reforça a necessidade de granularidade operacional e flexibilidade regulatória. Nesse contexto, a agenda de capex dá o suporte físico e digital à estratégia: reforço de rede, modernização da medição (base para eficiência e relação com o cliente livre) e digitalização corporativa para elevar produtividade e confiabilidade — exatamente o que foi priorizado no CAPEX 2026 de R$ 1,073 bi com foco em rede, modernização da medição e TI.







