A ISA Energia aprovou R$ 495,3 milhões em Juros sobre Capital Próprio (R$ 0,751659 por ação de ambas as espécies), em três créditos iguais de R$ 165,085 milhões, com bases de direito em 29-dez-25, 29-jan-26 e 26-fev-26; datas ex em 30-dez-25, 30-jan-26 e 27-fev-26; e pagamentos em 28-jan-26, 25-fev-26 e 31-mar-26. O valor bruto por ação em cada parcela será de R$ 0,250553 (líquido: R$ 0,212970, sujeito a IR de 15% para não isentos). Os JCP poderão ser imputados aos dividendos obrigatórios ad referendum da AGO, e os montantes por ação podem variar em caso de recompra. Este anúncio consolida a prática de proventos modulados que a administração já vinha sinalizando nos resultados do 3T25, com JCP de R$ 445 mi, alavancagem de 3,44x e estratégia de compensar a RBSE por RAP de novas licitações, reforçando a combinação entre previsibilidade regulatória e disciplina de caixa.
O calendário de proventos também dialoga com a proteção da estrutura de capital em um ciclo de CapEx elevado. Diferentemente de um cenário em que covenants poderiam restringir a distribuição, a companhia obteve, no fim de novembro, um waiver crucial que manteve íntegras as condições de três contratos relevantes com o BNDES. Essa decisão cria uma ponte até a aferição anual de indicadores, reduz o risco de gatilhos técnicos e preserva a flexibilidade para calibrar payout sem romper a disciplina regulatória e financeira, conforme descrito na abstenção do BNDES quanto ao vencimento antecipado em três contratos e preservação de covenants. Em outras palavras, a governança de passivos sustenta a capacidade de manter proventos em linha com a geração de caixa regulada.
Na mesma direção, a gestão ativa do passivo reduziu assimetrias de vencimentos e custos, favorecendo o uso do JCP como instrumento fiscalmente eficiente. A liquidação do passivo mais antigo via resgate integral de debêntures minimiza riscos e simplifica a estrutura de dívida, enquanto preserva acesso a mercado. Esse movimento materializa a disciplina de funding evidenciada ao longo do ano e ajuda a proteger rating e liquidez, fatores críticos para que a política de remuneração conviva com o avanço do pipeline. O elo é claro na execução do resgate antecipado total da 12ª emissão de debêntures, com prêmio de 0,35% a.a., que encerra uma série de 2022 e libera espaço para coordenar emissões futuras com cronogramas de obras e o calendário de proventos.
Pelo lado operacional, a base de EBITDA que suporta os proventos está ganhando tração com entregas adiantadas e RAP de alta margem, reduzindo a dependência do componente financeiro da RBSE. A antecipação de marcos relevantes eleva a previsibilidade de caixa e amplia o denominador dos covenants, ajudando a acomodar o payout sem pressionar a alavancagem. Um exemplo é a energização 22 meses antes do Bloco 1 de Piraquê, com 30% da RAP de R$ 343,1 milhões no ciclo 2025/26, que confirma a estratégia de executar antes do prazo, acelerar a monetização do portfólio e sustentar a remuneração ao acionista com fluxo regulado, indexado ao IPCA e de margem elevada.







