A ISA Energia iniciou a operação comercial do Bloco 1 do projeto Piraquê, 22 meses antes do prazo regulatório da ANEEL. Após o TLD (Termo de Liberação Definitivo) concedido pelo ONS em 17/11, a companhia passou a ser parcialmente remunerada pelo lote 3 do leilão 01/2022, com efeito retroativo a 10/11. O bloco envolve 143 km de linhas de 500 kV em circuito duplo, a nova subestação Janaúba 6, ampliações em Janaúba 3 e pátio de 500 kV em Jaíba com transformação 500/230 kV (2.250 MVA), reforçando o escoamento de parte dos 17,6 GW de renováveis do norte de MG. O Bloco 1 faz jus a 30% da RAP (Receita Anual Permitida) de R$ 343,1 mi no ciclo 2025/26, com margem EBITDA estimada em 95%, e o investimento regulatório (ANEEL) do projeto é de R$ 4,3 bi, financiado por debêntures verdes de infraestrutura.
Este marco consolida a estratégia de antecipar entregas e capturar RAP incremental antes do cronograma originalmente previsto. O movimento ecoa realizações recentes, como o início da operação do IE Riacho Grande cinco meses antes do prazo, que já evidenciava disciplina de execução, uso de soluções tecnológicas (monitoramento em tempo real, subestações compactas) e o efeito de reduzir a dependência de componentes financeiros regulatórios ao acelerar a geração de caixa regulada. A repetição do padrão — agora em Piraquê — fortalece a previsibilidade de receitas indexadas ao IPCA, melhora o perfil de risco de obra, e reforça a função sistêmica da empresa ao aliviar gargalos de transmissão para fontes renováveis, sobretudo solares, com impacto concreto na segurança e na confiabilidade do SIN.
Além de materializar valor de curto prazo via RAP parcial, a energização do Bloco 1 altera o contraste temporal em relação ao que vinha sendo comunicado ao mercado. Nos números mais recentes, a administração projetava Piraquê para uma janela mais distante, com foco em pipeline e compensações regulatórias. A atual antecipação de 22 meses acelera essa tese e traz receitas reguladas para dentro do ciclo 2025/26, enquanto preserva margens elevadas e governança de custos típica de projetos de transmissão. Esse encadeamento fica claro nos resultados do 3T25, que apontavam Piraquê para set/27 e detalhavam a estratégia de compensar a pressão da RBSE por RAP de novas licitações, indicando que a alavanca principal de criação de valor viria da execução — agora evidenciada na prática com Piraquê.
No eixo financeiro, o fato de Piraquê ser integralmente financiado por debêntures verdes reforça a capacidade da ISA de combinar CapEx acelerado com custo de capital competitivo e base de investidores ampliada por critérios ESG. A empresa tem aproveitado janelas de mercado para alongar duration e reduzir spreads, o que sustenta a viabilidade do pipeline sem pressionar alavancagem nem proventos. Essa disciplina foi reiterada na 20ª emissão de debêntures com rating AAA(BRA) e foco em disciplina de funding, que se conecta diretamente ao modelo de financiamento de projetos como Riacho Grande e Piraquê. Ao casar estrutura de dívida indexada ao IPCA com receitas reguladas também indexadas, a companhia mitiga descasamentos e reforça a resiliência do fluxo de caixa.
Do ponto de vista de relacionamento com o mercado, a entrega de hoje ocorre no mesmo compasso das mensagens recentes da administração sobre RBSE, guidance de CapEx e cronogramas de energização. A companhia já sinalizava que a previsibilidade de RAP viria da execução e do uso de instrumentos rotulados, em linha com metas de descarbonização e digitalização. Esse fio condutor deve seguir nas interações com investidores e foi antecipado na entrevista da CFO em 17 de novembro sobre RBSE, proventos e cronogramas de energização, que conecta revisão tarifária, estrutura de capital e marcos de obras. Em síntese, a energização do Bloco 1 de Piraquê dá continuidade à narrativa recente: acelerar entregas, fortalecer RAP e sustentar a transição energética com funding eficiente.







