Na segunda-feira, 1º de dezembro de 2025, a ISA Energia informou que o BNDES formalizou, em 28/11, a abstenção da declaração de vencimento antecipado em três contratos de financiamento, diante do risco de eventual descumprimento dos indicadores de 2025. A empresa pagará R$ 1,1 milhão de Comissão de Anuência. Os contratos, com saldo de R$ 695 milhões em 30/09/2025, têm limites de 3,0x para Dívida Líquida/EBITDA e de 0,7x para Dívida Líquida/(Dívida Líquida + Patrimônio Líquido), apurados em 31/12. Com isso, as condições atuais são mantidas e a ISA reforça que seguirá cumprindo as demais obrigações contratuais. Em termos estratégicos, o waiver elimina o risco de gatilho financeiro no fechamento do exercício, preserva liquidez e compra tempo para a tese operacional seguir entregando RAP e EBITDA adicionais.

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Na perspectiva de continuidade, o movimento dialoga com o que a administração vinha sinalizando sobre sensibilidade de alavancagem e mix regulatório ao longo de 2025, conforme os resultados do 3T25, com alavancagem de 3,44x e a estratégia de compensar a pressão de RBSE via RAP de novas licitações. A abstenção do BNDES funciona como ponte até a aferição anual dos covenants, evitando um evento técnico que poderia antecipar vencimentos e encarecer passivos. Ao manter taxas e prazos, a empresa ganha fôlego para que a base de EBITDA cresça com a entrada de ativos e para que o denominador dos indicadores se fortaleça, reforçando a trajetória de normalização das métricas a partir de 2026 com o ciclo de energizações em curso.

Esse ajuste financeiro se apoia numa geração de caixa regulada que já começou a acelerar. A captura de receitas indexadas ao IPCA e com margens elevadas foi materializada pelo início da operação comercial do IE Riacho Grande, cinco meses antes do prazo, garantindo 90% da RAP de R$ 93,1 milhões. Ao antecipar deliveries no eixo metropolitano de São Paulo, a companhia elevou o EBITDA recorrente e reduziu a dependência do componente financeiro da RBSE, exatamente a dinâmica que dá resiliência aos indicadores em períodos de maior custo de dívida. O waiver, portanto, preserva a estrutura de capital enquanto os efeitos operacionais de Riacho Grande consolidam a base para desalavancagem orgânica.

Na mesma linha, a expansão do pipeline com entregas à frente do cronograma amplia a previsibilidade para 2025/26. A energização do Bloco 1 de Piraquê, 22 meses antes do prazo, com 30% da RAP de R$ 343,1 milhões no ciclo 2025/26, adiciona um fluxo de caixa regulado de altíssima margem (estimada em 95%) e reforça o denominador de covenants baseados em EBITDA. Além de reduzir riscos de obra e capturar RAP incremental, essa antecipação ajuda a suavizar o efeito das revisões regulatórias na RBSE e, combinada à estabilidade contratual preservada pelo BNDES, sustenta a narrativa de que a execução é a principal alavanca para atravessar o período de maior sensibilidade financeira sem rupturas.

Pelo lado do passivo, a companhia vem calibrando funding para alongar duration e reduzir o custo médio, o que se conecta diretamente ao benefício de evitar um vencimento antecipado. A 20ª emissão de debêntures com rating AAA(BRA) e disciplina de funding ilustra a estratégia de travar condições favoráveis e coordenar emissões com cronogramas de obra e proventos. Manter os contratos do BNDES íntegros — em vez de reprecificados após um evento técnico — preserva a eficiência dessa estrutura de capital, protege liquidez e alinha o calendário financeiro com a fase de ramp-up dos ativos recém-energizados. Em síntese, o waiver consolida uma ponte financeira para que a tese operacional — entregas antecipadas e RAP indexada — converta-se em melhora orgânica das métricas de alavancagem.

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