Os números do 3T25 da ISA Energia mostram lucro líquido de R$ 550 mi (+27% a/a), receita de R$ 1,1 bi (-9%) e EBITDA de R$ 888 mi (-7%). Diferentemente do 3T24, o mix regulatório foi menos favorável pela redução do Componente Financeiro da RBSE por decisão da ANEEL e por efeitos de ajustes/PA e da CDE (provisão sem efeito caixa); por outro lado, o fim da depreciação represada da RBSE (2013–2017) e a dedutibilidade do JCP ajudaram o resultado, ainda que com maiores despesas financeiras. A companhia reforçou a remuneração ao acionista com R$ 445 mi em JCP (R$ 0,674997/ação), em três parcelas e com payout regulatório mínimo de 75% — desenho já detalhado no calendário e racional do JCP aprovado em 29 de setembro. Com RAP potencial de R$ 6,4 bi para 2025/2026 (ajuste de ciclo de +R$ 84 mi) e a Concessão Paulista representando R$ 3,547 bi, a empresa sustenta previsibilidade de caixa regulado. Em paralelo, investiu R$ 1,2 bi (+39% a/a), com recorde em R&M e R$ 768 mi em greenfield, sinalizando execução acelerada do pipeline.
Na frente de capital, a ISA encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 14,8 bi, alavancagem de 3,44x, prazo médio de 7,4 anos e custo de 13,14% a.a. (IPCA + 7,61% a.a.). Como evento subsequente, realizou a 20ª emissão de debêntures de R$ 2 bi em duas séries indexadas ao IPCA, com spreads inferiores à NTN‑B 2040 e rating AAA (br), reforçando a busca por alongamento e redução de custo. Este movimento dá continuidade à 20ª emissão de debêntures e disciplina de funding comunicadas em 20 de outubro, ancorando o plano de CapEx remanescente de ~R$ 7 bi até 2028 sem comprometer a política de proventos. A combinação de RAP reajustada pelo IPCA, novas autorizações de R&M e portfólio em construção sustenta a capacidade de serviço da dívida e mantém a alavancagem sob controle.
Do ponto de vista estratégico, o trimestre consolida a tese de compensação gradual da pressão de RBSE (-R$ 206 mi na evolução do ciclo) por meio de RAP incremental de licitações (+R$ 137 mi), ganhos na Concessão Paulista e eficiência fiscal. A execução operacional segue robusta: Água Vermelha foi energizado com 16 meses de antecedência, enquanto Riacho Grande e Jacarandá estão previstos para mar/26, Piraquê para set/27 e Itatiaia/Serra Dourada para mar/29 (com LI em 60% de Serra Dourada). Essa trajetória está alinhada à visão estratégica sobre RBSE, RAP e aceleração de CapEx apresentada no podcast de setembro, que já antecipava o encadeamento entre funding oportuno, avanço de obras e agenda ESG — agora reforçada pelo Compromisso Net Zero 2050 e reduções em SF6, energia e combustíveis. Em síntese, este capítulo conecta crescimento regulado, disciplina financeira e entregas antecipadas, pavimentando a remuneração via JCP e a geração de caixa futura.







