A Dexco (DXCO3) comunicou a celebração de Acordo de Acionistas com um investidor institucional para subscrição de 100% das novas ações preferenciais da Cambuí Florestal S.A., sua controlada indireta dedicada à exploração e comercialização de madeira. O aporte de R$ 150 milhões dará ao investidor participação minoritária, com regras de voto e restrições à transferência estabelecidas no acordo. Como fato relevante, a companhia afirmou que a operação é alinhada à sua estratégia de atrair capital de terceiros para maximizar a eficiência das atividades florestais e fortalecer a estrutura de capital, em caráter exclusivamente informativo. O movimento reforça a segregação do negócio florestal e o uso de veículos dedicados ao ciclo da madeira, linha acelerada e consolidada pela ampliação da 1ª emissão de CPR‑Fs da Duratex Florestal para R$ 1,6 bilhão, com prazo de 8 anos, que casa funding de longo prazo com os ativos e preserva a liquidez da holding.
Do ponto de vista financeiro, atrair um sócio minoritário para a Cambuí diversifica fontes sem pressionar o caixa corporativo e adiciona governança ao ativo florestal via acordo de acionistas. Diferentemente de períodos em que o balanço carregava um “muro” de vencimentos, a Dexco vinha reduzindo o custo financeiro e reorganizando prazos, o que criou espaço para movimentos societários sem elevar risco de refinanciamento — trajetória evidenciada pelo resgate antecipado da 2ª emissão de debêntures e o pré‑pagamento de dívida em dólar realizados em novembro. Essas medidas diminuem a sensibilidade a CDI e câmbio e sustentam a nova fase: SPEs com capital de parceiros na base florestal, funding alongado, menor carga de juros e maior previsibilidade de caixa — combinação que tende a acelerar a monetização do portfólio de madeira com disciplina.
Além de fortalecer a alavanca operacional do negócio florestal, a iniciativa conversa com a reorganização do patrimônio e a maturidade da estrutura de capital. No mesmo dia, a companhia aprovou o aumento de capital por capitalização de reservas de R$ 1 bilhão, com bonificação de 12%, instrumento neutro em caixa que ajusta a base de capital e sinaliza previsibilidade na política financeira. Em conjunto, os passos revelam uma narrativa coesa: primeiro, arrumar o passivo e segregar o funding do negócio florestal; depois, usar parcerias de equity em veículos dedicados e instrumentos societários para destravar valor na base de madeira, preservando a desalavancagem e a disciplina de alocação de capital.







