A Petrobras celebrou novos contratos de longo prazo com a Braskem para fornecimento de nafta (US$ 11,3 bi; 5 anos a partir de 01/01/2026), etano/propano/hidrogênio (US$ 5,6 bi; 11 anos a partir de 01/01/2026) e propeno (US$ 940 mi; 5 anos a partir de 18/05/2026). Os acordos têm preços referenciados internacionalmente, quantidades mínimas mensais e possibilidade de volumes adicionais. No eixo de etano/propano/hidrogênio, o volume projetado sobe de 580 mil t/ano para 725 mil t/ano a partir de 2029, atrelado à ampliação da Braskem no RJ, com suprimento pela Reduc e/ou pelo futuro Complexo Boaventura. A operação foi classificada como TPR e apreciada pelo CAE.
Na prática, a Petrobras amarra demanda estável e multiproduto para Reduc, Recap e Refap, reduzindo volatilidade de escoamento e monetizando derivados com contratos de take‑or‑pay e indexação internacional. O movimento consolida a integração refino‑petroquímica e dá previsibilidade a investimentos e disponibilidade de plantas, em linha com o PN 2026–2030, que reforça refino/logística, programas de eficiência (RefTop) e aumento de capacidade sem novas refinarias. Ao pré‑contratar volumes escalonados até 2030, a companhia desenha um trilho para capturar margens de derivados e sincronizar paradas e ramp‑ups com a demanda da cadeia petroquímica. Além disso, a cláusula de volumes adicionais e a diversificação de origens (Reduc, Recap, Refap e, futuramente, Complexo Boaventura) reforçam redundância operacional e flexibilidade logística. A indexação a referências internacionais protege a paridade econômica e minimiza disputas de preço em transações com parte relacionada.
Do ponto de vista societário, os contratos também estabilizam a relação comercial com a Braskem em um momento de reavaliação do bloco de controle. Em 15/12, a Petrobras comunicou que avaliará direitos de preferência e de tag along diante do acordo de exclusividade envolvendo as ações da Braskem detidas pela NSP/Novonor. Ao fixar regras claras de preço e volume por 5 a 11 anos, a companhia preserva opcionalidade: protege o fornecimento estratégico independentemente do desfecho societário, enquanto mitiga riscos de renegociação em janela de transição acionária. Além disso, a previsibilidade de fornecimento para projetos de expansão no RJ (725 mil t/ano de eteno equivalente a partir de 2029) permite que ambas as companhias planejem CAPEX, paradas e contratos de transporte com menor risco de execução e de preço, transformando a ampliação projetada em um pipeline operacional mais exequível.
Em governança e finanças, a classificação como Transação com Parte Relacionada, com condições comutativas e avaliação pelo CAE, reforça o padrão recente de disciplina: contratos ancorados em benchmarks de mercado, previsibilidade de caixa e aderência ao PN. A Petrobras tem buscado coerência entre decisões operacionais e robustez de balanço, preservando espaço para investimentos prioritários e estabilidade de distribuição mesmo em cenários conservadores. Essa mesma cadência se viu na otimização do passivo via resgate antecipado das 8,75% 2026, que reduziu custo financeiro e suavizou vencimentos. Em conjunto, os movimentos indicam que a companhia vem travando margens industriais e fortalecendo a estrutura de capital para sustentar o ciclo 2026–2030 com menor volatilidade.







