Nesta segunda-feira, 15 de dezembro de 2025, a AXIA Energia (ex-Eletrobras; AXIA3, AXIA5, AXIA6) confirmou a liquidação de duas captações-chave: a 7ª emissão de debêntures simples, quirografárias, em série única, no valor de R$ 1 bilhão, e a 9ª emissão da AXIA Norte, de R$ 2 bilhões. A primeira tem prazo total de 10 anos (vencimento em 15/11/2035), juros semestrais a DI + 0,85% a.a. e amortização anual a partir de 2033; a segunda vence em 15/11/2032, remunera a DI + 0,65% a.a., amortização bullet e conta com fiança e responsabilidade solidária da holding, com renúncias a benefícios de ordem. Ao transformar autorizações em recursos efetivos, o movimento alonga passivos, distribui picos de caixa e casa duration da dívida com receitas reguladas de transmissão, em linha com a captação de R$ 3 bilhões aprovada em 13/11/2025.

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O rito de registro automático (Resolução CVM 160) e a destinação a investidores profissionais deram agilidade à execução, preservando a janela de mercado e a simetria com o perfil regulado da companhia. A combinação de tranche de 10 anos amortizável e tranche de 7 anos bullet otimiza o cronograma de serviço da dívida, enquanto a fiança corporativa na AXIA Norte reduz custo de crédito da subsidiária e consolida a gestão centralizada de garantias. Na prática, a liquidação encerra a jornada iniciada com a precificação da emissão da holding, que saiu a DI + 0,85% e confirmou a leitura de risco compatível com rating e natureza quirografária — etapa pavimentada pelo bookbuilding da 7ª emissão concluído em 10/12, a DI + 0,85%.

Estratégica e operacionalmente, o funding sustenta um ciclo de CAPEX intensivo em transmissão, com horizonte de 42 meses e RAP indexada. Estruturas a DI tendem a ser adequadas à fase de implantação, mitigando risco de refinanciamento e alinhando o fluxo de caixa dos projetos ao serviço da dívida. Esse encaixe confirma a coerência da engenharia financeira com a plataforma regulada que a empresa vem destacando: expansão de RAP, portfólio simplificado e disciplina de capital, como apresentado nos resultados do 3T25, que detalharam o pipeline regulado e a expansão de RAP.

No plano institucional, a queda do prêmio de risco e a previsibilidade de governança ajudam a explicar a qualidade e o custo das emissões. A pacificação do contencioso societário no Supremo — com a extinção da ADI 7.385 e a validação do arranjo de voto “one share, one vote” — reduziu incertezas que afetavam o custo de capital e deu lastro à estratégia de funding e à agenda de migração ao Novo Mercado. Em outras palavras, a liquidação de hoje não é um evento isolado: ela se insere num ambiente de menor litigiosidade e maior previsibilidade, reforçado pela homologação do STF em 11/12, que reduziu o overhang jurídico e o custo de capital.

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