A Eletrobras reportou no 3T25 lucro líquido IFRS ajustado de R$ 2,176 bilhões, com queda de 68% a/a, em um trimestre marcado por base de comparação forte e efeitos de portfólio. A receita operacional líquida regulatória ajustada foi de R$ 9,969 bilhões (-4,6% a/a) e o EBITDA regulatório ajustado somou R$ 6,382 bilhões (-5,8% a/a). Excluindo a variação do resultado das térmicas do Amazonas vendidas em 2025, o EBITDA regulatório ajustado atingiu R$ 6,419 bilhões, alta de 3,4% a/a. Na operação, transmissão avançou 9,8% a/a (R$ 4,745 bilhões), PMSO IFRS ajustado recuou 10,8% a/a e a margem da energia comercializada no ACL/MCP saltou de R$ 48/MWh para R$ 86/MWh. A administração propôs R$ 4,3 bilhões em dividendos no trimestre (R$ 8,3 bilhões no ano), reforçando disciplina de capital.
Do lado do crescimento estruturado, o trimestre reforça a plataforma regulada: além de investir R$ 1,203 bilhão em transmissão, a companhia consolidou a expansão de RAP ao dar sequência ao arremate dos lotes 6A, 6B, 7A e 7B no Leilão de Transmissão 04/2025, com CAPEX regulatório estimado e foco em compensação síncrona para estabilidade do SIN. Os resultados do 3T25 ecoam essa agenda: a empresa reporta 230 empreendimentos de grande porte com RAP adicional prevista de R$ 1,7 bilhão entre 2025–2030 e CAPEX total estimado em R$ 12,5 bilhões, o que pavimenta um ciclo de receitas indexadas e previsíveis e dá lastro à proposta de dividendos robustos sem perder a capacidade de investimento.
Essa expansão regulada vem acompanhada da simplificação do portfólio, que ajuda a explicar a resiliência do EBITDA quando excluídos efeitos de ativos descontinuados. No trimestre, a Eletrobras assinou a venda da Eletronuclear e da participação na EMAE, concluiu a alienação da UTE Santa Cruz e passou a deter um parque 100% renovável, ao mesmo tempo em que adquiriu os 50,1% remanescentes da Tijoá. Nesse arco, o encerramento das térmicas com a venda da UTE Santa Cruz à J&F, que tornou o portfólio 100% renovável e gerou entradas relevantes de caixa ilustra a reciclagem de capital que reduz volatilidade operacional, melhora a intensidade de caixa e realoca recursos para ativos regulados de 20–30 anos.
Na dimensão de descompressão de riscos e limpeza de legados, a decisão de desinvestir ativos de maior complexidade regulatória e de garantias se manteve coerente. A alienação da Eletronuclear à J&F e a assunção das debêntures ADI apontam para menor atrito no balanço, maior previsibilidade e foco em negócios com governança clara e retorno ajustado ao risco superior. Em conjunto com a venda da EMAE, esses movimentos sustentam a proposta de R$ 8,3 bilhões em dividendos no exercício e explicam a combinação de queda de PMSO com avanço da transmissão e margem melhor no ACL, apesar do recuo a/a do lucro por efeitos de base.
Para financiar o pipeline sem pressionar alavancagem — a dívida líquida ajustada fechou em R$ 42,6 bilhões após pagamento de R$ 4 bilhões em dividendos em agosto — a companhia seguiu acessando dívida de longo prazo com custo competitivo. Em julho, captou R$ 2 bilhões a CDI - 0,56% a.a. na Eletronorte; e deu continuidade à estratégia de duration e incentivos por meio da 8ª emissão de debêntures da Eletronorte, com vencimento em 2035 e incentivo da Lei 12.431, alinhando prazos dos passivos às receitas indexadas de transmissão e reforçando a flexibilidade para executar obras com cronogramas de até 42 meses.
No conjunto, o 3T25 mostra uma empresa que avança em transmissão, eleva eficiência operacional e colhe os frutos da simplificação: portfólio 100% renovável, RAP crescente, investimentos relevantes em ativos críticos como o HVDC de Itaipu e base de clientes em expansão no ACL. O recuo anual do lucro IFRS ajustado reflete a saída de ativos e efeitos não recorrentes, enquanto a base regulada e o pipeline de 230 empreendimentos desenham a continuidade de um ciclo de caixa previsível, sustentando dividendos e CAPEX com menor volatilidade e melhor qualidade de risco.







