Em 10 de dezembro de 2025, a AXIA Energia (ex-Eletrobras) concluiu o bookbuilding de sua 7ª emissão de debêntures simples, quirografárias, em série única, totalizando R$ 1 bilhão. A taxa foi fixada em 100% do DI acrescida de 0,85% a.a. (base 252), com rating “brAAA” atribuído pela S&P. A oferta seguiu o rito de registro automático da CVM 160, com dispensa de prospecto e lâmina, destinada exclusivamente a Investidores Profissionais e sujeita às restrições de revenda do art. 86, I. Bradesco BBI atuou como coordenador líder, ao lado de UBS BB, Santander, XP e Itaú BBA; a Vórtx é o agente fiduciário. Na prática, a precificação saiu no topo do intervalo sinalizado anteriormente, executando o que havia sido aprovado na captação aprovada em 13/11 para a 7ª emissão. Ao optar pelo rito automático e por uma base profissional, a companhia ganhou agilidade e eficiência de colocação dentro do marco regulatório. A taxa em DI + 0,85% indica leitura de risco compatível com o rating e com a natureza quirografária, apoiada na escala e previsibilidade do grupo.
Este movimento consolida a estratégia de alongamento de passivos e de casamento de duration com receitas reguladas de transmissão. Num ciclo de obras com prazos de implantação longos e relevância para a estabilidade do SIN, dívida indexada ao DI tende a ser adequada à fase de construção, mitigando risco de refinanciamento e distribuindo picos de caixa ao longo do tempo. A demanda por crédito de alta qualidade por parte de investidores profissionais também sugere confiança na capacidade de execução operativa e financeira da companhia. Do lado dos projetos, o funding se alinha a um pipeline regulado que ganhou tração recentemente e cuja execução impulsiona RAP futura, como evidenciado pelo arremate dos lotes 6A–7B no Leilão 04/2025 da ANEEL, focados em compensação síncrona. Esse encadeamento reduz volatilidade operacional e converte obras em fluxos previsíveis por décadas, fortalecendo a mecânica de criação de valor no longo prazo.
Em paralelo, a engenharia de balanço segue ancorada na preservação de caixa para CAPEX e na evolução de governança. A empresa vem calibrando a remuneração ao acionista com a necessidade de executar um pipeline intensivo em transmissão, evitando pressão de curto prazo sobre a alavancagem e mantendo buffers de liquidez. Em vez de depender apenas de pagamentos em espécie, passou a acionar instrumentos societários que remuneram sem consumo imediato de caixa e preparam a unificação acionária rumo ao Novo Mercado, como a capitalização de R$ 30 bilhões da Reserva de Lucros e bonificação em PNC aprovada pelo Conselho. A combinação de dívida de longo prazo em condições competitivas com bonificação via reservas e cronograma claro de conversão “one share, one vote” reforça uma narrativa coesa: funding aderente ao ciclo de transmissão, governança em evolução e disciplina de capital que privilegia previsibilidade e retorno ajustado ao risco.







