Nesta quinta-feira, 13 de novembro de 2025, a companhia informou que o Conselho de Administração aprovou a captação de R$ 3 bilhões por meio da 7ª emissão de debêntures da AXIA Energia (R$ 1 bilhão, vencimento em 15.11.2035) e da 9ª emissão de sua controlada AXIA Energia Norte (R$ 2 bilhões, vencimento em 15.11.2032). Ambas são de série única, com juros semestrais e sem carência. A 7ª emissão é quirografária, com taxa teto de DI + até 0,85% a.a. e amortizações anuais do 8º ao 10º ano (2033–2035); a 9ª conta com fiança da AXIA Energia, teto de DI + até 0,65% a.a. e amortização bullet. As ofertas seguirão o rito de registro automático e serão destinadas exclusivamente a investidores profissionais; o fato relevante ressalta que ainda não há registro na CVM e que não se trata de oferta de subscrição.

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Este movimento dá continuidade ao alongamento de passivos, à diversificação de fontes e ao uso de garantias corporativas já observado na 8ª emissão de debêntures da Eletronorte, com vencimento em 2035. Ao combinar uma tranche de 10 anos indexada ao DI com amortização escalonada e outra de 7 anos com bullet, a AXIA desenha um cronograma de serviço da dívida que casa duration com receitas indexadas típicas de transmissão e reduz risco de refinanciamento.

Do lado do uso dos recursos, as captações conversam com o ciclo de investimentos em transmissão e estabilidade do SIN, que tem CAPEX concentrado em 42 meses e RAP indexada, como demonstrado no arremate dos lotes 6A, 6B, 7A e 7B no Leilão 04/2025 da ANEEL. Para esses projetos de compensação síncrona em 500 kV, o funding atrelado ao DI é adequado para a fase de implantação, enquanto a fiança da holding tende a otimizar custo de crédito da AXIA Energia Norte (ex-Eletronorte). Além disso, o escalonamento entre 2032 e 2035 distribui picos de caixa e preserva buffers de liquidez para eventuais variações de cronograma.

A engenharia financeira também preserva a capacidade de remunerar o acionista sem pressionar alavancagem, em linha com os R$ 4,3 bilhões em dividendos intermediários aprovados em novembro de 2025, que levaram a distribuição no ano a R$ 8,3 bilhões. Em outras palavras, a companhia equilibra dívida de longo prazo em condições competitivas com uma régua de dividendos sustentada por RAP e eficiência operacional. Sem abrir mão de liquidez, gestão de passivos e métricas de alavancagem saudáveis.

Por fim, o desenho das emissões reforça a narrativa pós-privatização: portfólio mais simples, 100% renovável e crescimento ancorado em receitas reguladas. Esse roteiro foi organizado ao redor da nova identidade, consolidada no rebranding para AXIA e foco em plataformas reguladas, que posiciona a empresa como “eixo” do sistema e sustenta a conversão de previsibilidade em valor ao acionista no longo prazo.

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