Nesta quinta-feira, 11 de dezembro de 2025, a CELESC aprovou Juros sobre o Capital Próprio referentes ao 4º trimestre de 2025 no valor total de R$ 90.455.051,27, equivalentes a R$ 2,212911506 por ação ordinária e R$ 2,434202657 por ação preferencial. Terão direito os acionistas posicionados em 17/12/2025, com ações “ex-JCP” a partir de 18/12/2025. O crédito, nos termos da Lei 9.249/95 e do Estatuto, será imputado integralmente ao dividendo mínimo obrigatório do exercício de 2025 (art. 202 da Lei 6.404/76), sem atualização monetária e com IRRF quando aplicável. O pagamento ocorrerá em duas parcelas iguais de 50% até 30/06/2026 e 30/12/2026, com data e forma a serem deliberadas pelo Conselho e/ou Assembleia.
Este anúncio de remuneração ao acionista dialoga com a tração operacional e financeira recente da companhia. Em outubro, a Celesc reportou os resultados do 3T25, com EBITDA de R$ 420,5 mi e capex de R$ 385,7 mi, sustentados por demanda resiliente, reajuste tarifário e ganhos de eficiência, além de indicadores de qualidade dentro dos limites regulatórios. A imputação do JCP ao dividendo mínimo obrigatório reforça previsibilidade de retorno, enquanto o escalonamento do pagamento em 2026 preserva liquidez no curto prazo. Em termos de alocação de capital, a mensagem é de continuidade: remunerar o acionista sem perder o ritmo dos projetos que ancoram o crescimento e a qualidade do serviço.
A decisão também se mantém coerente com o ciclo de investimentos aprovado para o próximo ano. Em 28 de novembro, o Conselho validou o CAPEX 2026 consolidado de R$ 1,073 bi e contingenciamento atrelado a iniciativas estratégicas, priorizando rede, modernização da medição e digitalização. Ao programar o JCP em duas parcelas ao longo de 2026, a empresa distribui o desembolso no mesmo horizonte em que acelera obras críticas, reduzindo picos de caixa e mantendo disciplina de execução. O formato reforça um equilíbrio entre crescimento e retorno, favorecendo a estabilidade dos indicadores regulatórios (DEC/FEC) sem abrir mão de previsibilidade ao investidor.
Esse equilíbrio é apoiado pela arquitetura de funding desenhada para atravessar o pico de investimentos. A companhia estruturou a 9ª emissão de debêntures de R$ 500 milhões como ponte de liquidez até 2027, com indexação ao CDI e amortização concentrada no vencimento, aliviando pressões de curto prazo. Tal estrutura permite priorizar projetos de rede, medição e TI enquanto o JCP, já imputado ao dividendo mínimo, é pago de forma faseada. Em outras palavras, o desenho financeiro separa o cronograma de investimentos das saídas de caixa relacionadas à remuneração, mitigando riscos operacionais e preservando a capacidade de entrega do plano.
No pano de fundo, a movimentação está alinhada ao Plano Diretor 2026/2035 atualizado, que prioriza qualidade, redução de perdas e digitalização. Ao transformar a visão de longo prazo em balizadores de orçamento e de estrutura de capital, a companhia condiciona suas decisões — do CAPEX à remuneração — a objetivos estratégicos claros. O JCP anunciado hoje funciona como mais um capítulo dessa narrativa: retorno ao acionista com previsibilidade, sustentado por execução operacional, funding adequado e foco em projetos que ampliam eficiência e resiliência regulatória.






