Na terça-feira, 2 de dezembro de 2025, a Embraer concluiu antecipadamente seu programa de recompra ao adquirir a totalidade prevista de 10,8 milhões de ações ordinárias. A companhia destacou que usou apenas recursos disponíveis, em conformidade com a Resolução CVM 77, sem impactos na estrutura acionária ou administrativa e mantendo plena capacidade de honrar obrigações com credores. O objetivo foi manter ações em tesouraria, cancelá-las ou utilizá-las em planos de remuneração baseados em ações. Este movimento consolida a disciplina de capital e representa a conclusão natural do programa de recompra aprovado no início de novembro de 2025 (até 10,8 milhões de ações e vigência de 12 meses).
O encerramento rápido sugere execução em janelas de preço e liquidez favoráveis, reforçando flexibilidade para mitigar diluição e dar suporte aos planos de longo prazo (LTI) sem pressionar o caixa operacional. Em paralelo, a Embraer já havia protegido o custo econômico desses planos via derivativos, reduzindo a sensibilidade da remuneração à volatilidade das ações. Assim, a arquitetura financeira se fecha em dois eixos complementares: o derivativo estabiliza o custo futuro; a recompra fornece lastro físico para entrega ou cancelamento, conforme necessário. Esse desenho foi explicitado no equity swap com o Itaú para cobrir LTI, com exposição de até 10,93 milhões de ações.
Do ponto de vista de balanço, a decisão de usar apenas recursos próprios e comunicar neutralidade sobre a estrutura financeira alinha-se à agenda de liability management que removeu o risco de refinanciamento na janela 2028/2030 e alongou a duration. Ao reduzir incertezas e ampliar previsibilidade de caixa, a companhia criou espaço para calibrar retorno ao acionista em paralelo ao ramp-up industrial, sem comprometer liquidez. Esse alicerce foi pavimentado pelo resgate integral das notas 2028 e o alongamento da duration via 2038, que sustentam a atual fase de normalização do retorno e a execução de recompras de forma disciplinada.
Além disso, a mecânica da recompra conversa diretamente com a política de proventos recentemente unificada. Ao definir um calendário previsível de JCP e ajustar o valor por ação às variações na base em circulação, a Embraer conecta gestão de caixa, disciplina regulatória e retorno ao acionista. Na prática, a redução do número de ações tende a ser capturada no payout por ação ao longo das datas de corte, mantendo coerência entre execução operacional, geração de caixa e remuneração. Esse encadeamento foi detalhado nos JCP trimestrais com datas unificadas e ajuste pelo programa de recompra.







