O Grupo Mateus (GMAT3) esclareceu à CVM, nesta sexta-feira (21/11/2025), que o ajuste aproximado de R$ 1,1 bilhão na valorização de estoques e no CMV decorre de revisão contábil e da implementação de um novo sistema. O efeito líquido informado foi de R$ 731,2 milhões sobre o total de ativos em 31/12/2024 (3,8%). A companhia destacou que o 3º ITR/25 já havia divulgado lucro líquido de R$ 846,6 milhões e patrimônio líquido ao redor de R$ 10,2 bilhões em 30/09/2025. A reapresentação de 2023 e 2024 seguiu o CPC 23 e reflete maior complexidade operacional e tributária, levando a uma estrutura de custeio mais integrada e automatizada. A gestão separou o tema contábil de iniciativas operacionais de inventário (como reforços após episódios de furtos/desvios) e argumentou não haver necessidade de Fato Relevante por não haver efeito em caixa ou covenants.
Este comunicado consolida e dá transparência aos pontos já sinalizados como “itens extraordinários” no trimestre anterior, quando a empresa reportou efeitos extraordinários no 3T25 ligados a inventários e à revisão de políticas e sistemas de custeio. Em outras palavras, a reapresentação sob o CPC 23 e a implantação do novo sistema parecem ser a continuidade técnica do que começou a emergir nos números do 3º trimestre: padronização de critérios, maior rastreabilidade e integração contábil-fiscal-operacional. Ao explicitar que os efeitos de estoque referentes exclusivamente a 2024 somam ~R$ 94 milhões, a administração dissocia ajustes metodológicos de eventuais perdas físicas, reforçando que a correção é de processo e governança de dados, não de mudança de fundamentos do negócio.
A ênfase em um sistema mais integrado e automatizado dialoga com a agenda de investimentos que o grupo vem priorizando para sustentar escala e complexidade do mix. Essa frente foi suportada pelo aumento de capital por subscrição privada aprovado em 14/11/2025, que preserva flexibilidade para CAPEX em logística e TI, exatamente as frentes citadas como alavancas de produtividade e governança. Em mercados com múltiplas operações e regras tributárias por estado, a padronização e a integração de informações reduzem assimetrias, encurtam o ciclo de conciliações e diminuem a chance de ruído contábil quando a companhia combina expansão orgânica, integrações e multiformato — contexto que explica a necessidade de revisão sob o CPC 23 e a adoção de novos controles de inventário nas lojas e CDs.
Também há coerência entre a transparência contábil e a disciplina financeira revelada no mesmo período. Em 14/11, a companhia reforçou previsibilidade de payout e preservação de caixa por meio da engenharia de capital anunciada em 14/11/2025, com JCP e calendário de pagamento que preservam caixa para projetos de TI e integração logística. Ao escalonar proventos e permitir o uso de créditos de JCP em instrumentos societários, o grupo mitiga custo de capital, suaviza sazonalidade de desembolsos e mantém fôlego para investimentos estruturantes — como sistemas, padronização tributária e melhorias de governança de informação — que são, precisamente, o pano de fundo técnico dos ajustes explicados à CVM.
Por fim, a decisão de não tratar o tema como Fato Relevante ancorou-se em materialidade relativa (3,8% dos ativos de 31/12/2024), estabilidade do patrimônio líquido e ausência de impacto em caixa ou covenants. Esse posicionamento encontra respaldo no histórico de robustez de balanço e disciplina reconhecidos pelo mercado, como o rating AAA (bra) reafirmado pela Fitch e política de alocação conservadora. Em termos de narrativa corporativa, o episódio não altera a tese operacional: ele organiza a contabilidade para acompanhar o ganho de escala e a diversidade de formatos, enquanto a execução segue concentrada em produtividade, logística e TI — pilares que sustentam a expansão e a geração de caixa.







