O 3T25 do Grupo Mateus trouxe aceleração de lucros e escala com disciplina. O lucro líquido ex efeitos extraordinários foi de R$ 509 milhões (+48,4% a/a; margem de 4,7%), sustentado por receita líquida de R$ 10,8 bilhões (+29,1% a/a). Parte do avanço decorre da consolidação do Novo Atacarejo, iniciada em 1º de julho; sem esse efeito, a receita foi de R$ 9,3 bilhões (+11,5%), com SSS de 2,8% no consolidado e 3,6% excluindo Eletro. O trimestre recebeu efeitos extraordinários de R$ 154,1 milhões ligados a inventários e revisão de políticas e sistemas de custeio, enquanto o EBITDA pós IFRS 16 ex extraordinários somou R$ 855 milhões (margem de 7,9%). Em impostos, houve reversão de provisões de IR/CSLL associadas à Lei 14.789/2023, reduzindo a carga fiscal do período. Esse conjunto reforça a agenda de ganho de escala no Nordeste, ancorada na integração do Novo Atacarejo no eixo PE–PB–AL.
Na expansão, o grupo encerrou o trimestre com 306 lojas, após incorporar 36 unidades do Novo Atacarejo e abrir 5 lojas no 3T25. A consolidação elevou o market share a 37,7% em PE, PB e AL e encurtou o ciclo de conversão de caixa: -1 dia no Novo Atacarejo e 57 dias no Mateus “stand-alone” (melhora de 11 dias a/a), refletindo sinergias logísticas e maior poder de compra. Diferentemente de fases em que o ramp-up dependia apenas de aberturas orgânicas, a combinação de M&A e densificação por praças acelerou a maturação. Esse movimento dá continuidade à densificação por cluster no Agreste pernambucano, evidenciada pela abertura em Caruaru, que reduz custo marginal de abastecimento e fortalece a ocupação das rotas PE–PB–AL.
Do lado do mix, a estratégia de migrar para formatos mais produtivos e reforçar canais B2B segue visível. O Atacado (B2B) atingiu receita bruta de R$ 2,1 bilhões (+26,8% a/a) e já representa 20% da receita, enquanto Eletro encolheu (receita bruta de R$ 282,8 milhões; SSS -8,9%), com fechamento de 16 lojas especializadas e encerramento de departamentos em 15 unidades de varejo alimentar até outubro. Essa reconfiguração conecta-se à ampliação de relacionamento com clientes profissionais, apoiada pelo lançamento da bandeira Mateus Foodservice para clientes HoReCa, que aumenta recorrência, eleva o ticket B2B por praça e captura margens via serviços e conteúdo técnico, alavancando a mesma malha logística que sustenta o atacarejo.
Financeiramente, a companhia preserva robustez: dívida líquida consolidada de R$ 1,4 bilhão (R$ 949 milhões sem o Novo Atacarejo) e alavancagem de 0,39x (DL/EBITDA pré IFRS 16, LTM). O CAPEX foi de R$ 312,9 milhões no 3T25 (+28,0% a/a) e R$ 778,7 milhões nos 9M25 (-11,1% a/a), com foco em infraestrutura, CDs e TI. Itens não recorrentes incluíram Refis do Maranhão (R$ 48,7 milhões) e ganho tributário de anos anteriores (R$ 180,9 milhões), além da reversão de provisões de IR/CSLL. Esse desenho se alinha à política de eficiência fiscal e previsibilidade de payout, ilustrada pela distribuição de JCP aprovada em setembro de 2025, que reduz custo de capital, preserva caixa para expansão e mantém coerência entre crescimento e retorno ao acionista.







