Nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025, a Embraer (EMBJ3) anunciou um pedido firme da Air Côte d’Ivoire para quatro E175, com direitos de compra para oito adicionais. As aeronaves, configuradas para 76 assentos em duas classes (12 executiva e 64 econômica), começarão a ser entregues no 1º semestre de 2027 e o contrato será incorporado à carteira de pedidos no 4º trimestre de 2025. O E175 entrará em rotas domésticas e regionais para ampliar frequências, substituir gradualmente turboélices e alimentar o hub de Abidjan, que recentemente ganhou voos de longo curso para Paris. Na África, a Embraer já opera com 250 aeronaves em 56 clientes e lidera o mercado de até 150 assentos, com 31% de participação, sustentando a tese de right-sizing para mercados regionais.
Este pedido consolida a estratégia de densificação de frota e conectividade regional que vem alavancando a Aviação Comercial da Embraer. Ele se encaixa na narrativa de right-sizing que elevou a previsibilidade de slots e a qualidade do backlog, marcada pela virada comercial e carteira recorde com book-to-bill de 2,7x na Aviação Comercial. Ao direcionar o E175 para substituir turboélices e aumentar frequências no hub de Abidjan, a Air Côte d’Ivoire captura ganhos de alcance, velocidade e conforto, enquanto a Embraer aprofunda sua posição em um continente onde a demanda amadurece por conectividade ponto a ponto e malhas alimentadoras para voos intercontinentais.
Além de reforçar a presença em companhias aéreas, a decisão dialoga com a crescente liquidez de ativos e a presença de lessors especializados, que encurtam ciclos de decisão e facilitam reposicionamentos de frota. Esse vetor ficou evidente com a entrada da TrueNoord como lessor do E2 (20 E195-E2 e opções adicionais, incluindo E175), movimento que amplia o mercado secundário e favorece a conversão de opções conforme a malha amadurece. Notavelmente, tanto o pedido da Air Côte d’Ivoire quanto o da TrueNoord são contabilizados no 4º trimestre de 2025, adicionando visibilidade à carteira e sustentando o pipeline de entregas para 2026/2027.
Do lado financeiro e operacional, o novo contrato tende a se beneficiar de uma base mais previsível de caixa e de um cronograma industrial em ramp-up. A previsibilidade foi construída pela agenda de liability management que empurrou picos de vencimento para além da próxima década, como no resgate integral das notas 2028 e o alongamento da duration via 2038. Com menor risco de refinanciamento, rating melhor e backlog robusto, a Embraer combina tração comercial na África com disciplina de capital, criando um ciclo virtuoso: mais densidade de frota, maior recorrência em Serviços & Suporte e melhor visibilidade de margens quando as entregas do E175 começarem em 2027.







