A Braskem reportou EBITDA recorrente de US$ 150 milhões no 3T25, avanço de 104% ante o 2T25, mas ainda 65% abaixo do 3T24, refletindo um ciclo petroquímico de spreads comprimidos e demanda fraca. A margem EBITDA consolidada ficou em 4,7%, com liquidez total de US$ 2,3 bilhões (inclui stand-by com vencimento em dez/26), 27 meses de cobertura de principal e consumo operacional de caixa de US$ 61 milhões. Os spreads permaneceram pressionados no Brasil (resinas a US$ 355/t) e em EUA/Europa (PP a US$ 361/t), com leve alívio no México (PE-etano a US$ 724/t). Essa fotografia já vinha sendo antecipada pela dinâmica operacional do trimestre e pela defesa comercial no mercado doméstico detalhadas no relatório de produção e vendas do 3T25, com spreads pressionados.
No Brasil, a utilização das centrais foi de 65% (-9 p.p. t/t) e o EBITDA do segmento subiu para US$ 205 milhões, alavancado por priorização de produtos de maior valor, maior volume de químicos, iniciativas do Programa de Resiliência e efeitos não recorrentes (recuperação de PIS/COFINS). O negócio PE I’m green bio-based operou a 40% de utilização do eteno verde, impactado por otimização de estoques e desestocagem na Ásia, enquanto a GreenCo segue como plataforma para ativos sustentáveis. Este movimento dá continuidade à transformação industrial e à transição do mix de matéria-prima, preparando o próximo salto de competitividade via etano no RJ e redução da dependência de nafta, como previsto no investimento de R$ 4,2 bilhões no RJ condicionado a funding e contrato de etano.
Nos EUA e Europa, a utilização de PP avançou para 79%, mas margens seguiram limitadas pela demanda fraca e spreads menores, parcialmente compensadas por menor impacto de estoque nos EUA e pela operação de revenda de etano (com maiores despesas de sublocação de navios). No México, a utilização de PE atingiu 47% após a primeira parada geral de manutenção em Braskem Idesa (concluída em 31/07) e o início do fornecimento de etano via TQPM em setembro, reforçando a estratégia de separar riscos por geografia e buscar soluções locais de suprimento. Em paralelo, a companhia mantém a agenda de preservação de liquidez e reprofiling de passivos no downcycle, sob governança corporativa e análise técnica, em linha com a contratação de assessores para otimização da estrutura de capital.
Do lado do balanço, a dívida bruta encerrou o trimestre em US$ 8,4 bilhões (custo médio de 6,29%), com alavancagem de 14,76x e vencimentos majoritariamente a partir de 2030; em 03/10, a empresa sacou a linha stand-by de US$ 1 bilhão, reforçando liquidez sob uma gestão de caixa conservadora diante de ratings em patamar de estresse. Em contingências, Alagoas segue evoluindo: 99,9% das realocações concluídas e provisão remanescente de R$ 3,8 bilhões após R$ 13,6 bilhões desembolsados. A previsibilidade de saídas melhora quando obrigações são escalonadas e calibradas à capacidade de pagamento, reduzindo o overhang jurídico e preservando caixa — lógica traduzida no acordo com o Estado de Alagoas de R$ 1,2 bilhão com pagamentos majoritariamente pós-2030.
Em síntese, os números do 3T25 confirmam a travessia disciplinada: captura de eficiência (programa com 700 iniciativas e potencial de ~US$ 400 mi em EBITDA e ~US$ 500 mi em caixa), defesa de spreads no Brasil, reforço de liquidez e avanço da transformação industrial por fases. Diferentemente do 3T24, quando a margem EBITDA foi de 11,3%, a companhia atravessa o vale do ciclo preparando pilares de recuperação — competitividade de matéria-prima, disciplina de capital e redução de incertezas jurídicas — para destravar valor quando a normalização global se consolidar.







