Em 24 de outubro de 2025, a Braskem aprovou um investimento de R$ 4,2 bilhões para ampliar, até o fim de 2028, a capacidade base etano de sua central petroquímica no Rio de Janeiro em 220 mil t/ano de eteno, com volumes equivalentes de polietileno. O projeto, parte do Plano de Transformação, busca aumentar a competitividade por meio da utilização de gás (etano) na matriz de matéria-prima, reduzindo a dependência de nafta. A execução está condicionada à obtenção de financiamento (além dos recursos do REIQ Investimentos 2025–2026) e ao fechamento de um contrato de longo prazo de fornecimento de etano com a Petrobras, cujo teor segue em negociação. A companhia reforçou que manterá o mercado informado sobre desdobramentos materiais.

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Este movimento consolida a estratégia iniciada no início do ano e conecta investimento, abastecimento e finanças: a condicionante de funding dialoga diretamente com a contratação de assessores para otimização da estrutura de capital, quando a Braskem elevou a disciplina de liquidez e capex a prioridade corporativa em meio ao downcycle petroquímico. Na prática, a companhia vem calibrando o pipeline de projetos, priorizando iniciativas com retorno ajustado ao risco, possibilidade de estruturação de financiamento compatível com os fluxos do ativo e suporte regulatório local. O REIQ contribui para aliviar o desembolso nos primeiros anos, enquanto o acordo de etano com a Petrobras mitiga risco de matéria-prima. Ao migrar parte do cracking para gás, a empresa tende a ganhar flexibilidade operacional e um perfil de custo mais previsível, alinhando o cronograma de implantação por fases até 2028 ao ambiente de mercado.

Do lado comercial, a decisão se apoia em um arcabouço de defesa de spreads no Brasil, que vem reequilibrando a competição com importados e dando previsibilidade à cadeia de PE. Medidas recentes — como os antidumpings provisórios sobre PE e a elevação temporária de tarifas — criaram um piso de preços domésticos em meio a spreads globais comprimidos, favorecendo a utilização dos ativos e o planejamento de volumes. Nesse sentido, a manutenção, até outubro de 2026, da alíquota de 20% para resinas PE, PP e PVC pelo Gecex/Camex estende a visibilidade comercial por 12 meses, amortece a volatilidade externa e sustenta margens no período de engenharia e contratação, etapa crítica para travar insumos e desenhar acordos comerciais que darão suporte ao ramp-up do projeto.

Estratégia e alocação de capital também seguem um fio condutor: concentrar investimentos onde há vantagem competitiva estrutural e separar riscos por geografia. Esse racional está presente no Programa de Resiliência e Transformação e a separação de riscos por geografia no caso Braskem Idesa, que prioriza soluções locais de liquidez e preservação do caixa consolidado. Ao direcionar capex no Brasil com suporte regulatório e segurança de suprimento de gás, a Braskem fortalece a base doméstica de PE, alinha o portfólio a projetos de maior retorno e reduz a sensibilidade ao ciclo internacional. Assim, o anúncio de hoje não é um ponto fora da curva: ele é a continuidade de uma trilha que combina competitividade operacional, disciplina financeira e proteção de spreads para sustentar a transformação até 2028.

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