A Braskem divulgou o Relatório de Produção e Vendas do 3º trimestre de 2025 com spreads ainda pressionados. No Brasil, a taxa de utilização de eteno recuou para 65% (-9 p.p. vs 2T25) e as vendas de resinas somaram 787 kton (-5%), enquanto EUA e Europa atingiram 79% de utilização (+5 p.p.). Versus o 2T25, as referências internacionais de resinas caíram 3%, com spread de resinas em US$ 355/t (-8% t/t; -14% a/a) e de principais químicos em US$ 360/t (-3% t/t; -18% a/a); o spread médio de PP nos EUA/Europa foi de US$ 361/t (-4% t/t). Segundo a companhia, a queda foi parcialmente compensada pelo efeito do antidumping de PE e pela estratégia comercial de abastecimento ao mercado doméstico, desdobramento da defesa de spreads ancorada na manutenção, até 2026, da alíquota de 20% para resinas e nos direitos antidumping de PE, que sustentam a paridade de importação em um ciclo global ainda fraco.

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No Brasil, a empresa vendeu 700 kton de principais químicos (+11% t/t; -2% a/a), exportou resinas em linha (+1% t/t; +9% a/a) e elevou exportações de principais químicos em 10% t/t (a/a -23%). A menor utilização refletiu a parada programada da central do Rio de Janeiro (cerca de 33 dias) e a otimização das centrais a nafta; o eteno verde operou a 40% (-31 p.p. t/t; -55 p.p. a/a), com 44 kton de PE Verde (-4% t/t; -8% a/a). Apesar do efeito de curto prazo, o movimento se encaixa na agenda de transformação industrial e de mudança do mix de matéria-prima, com foco em maior competitividade de custo e previsibilidade operacional, cujo próximo salto está no investimento de R$ 4,2 bilhões para ampliar a base etano no RJ e reduzir a dependência de nafta até 2028, condicionando execução a funding e contrato de longo prazo de etano.

No México, a taxa de utilização de PE foi de 47% (+3 p.p. t/t; -27 p.p. a/a) e as vendas totalizaram 146 kton (-6% t/t; -30% a/a). O trimestre marcou a conclusão da primeira parada geral de manutenção em Braskem Idesa, com mais de 3.000 pessoas, num contexto de menor fornecimento de etano pela Pemex (c. 11,3 mil bbl/d) parcialmente coberto pela solução Fast Track (17,2 mil bbl/d) e pelo início, em setembro, do suprimento via Terminal Química Puerto México (c. 11,3 mil bbl/d). Esse conjunto de alavancas operacionais e de suprimento reforça a separação de riscos por geografia e a busca de soluções locais de caixa e eficiência já sinalizadas na agenda de liquidez e revisão da estrutura de capital em Braskem Idesa, que destacava a necessidade de amortecedores financeiros e o impacto da primeira parada geral.

Nos EUA e Europa, o volume de PP foi de 495 kton (-2% t/t; -1% a/a), com ganho de utilização pela normalização operacional e recomposição de estoques nas plantas americanas, parcialmente compensados por paradas não programadas e menor disponibilidade de matéria-prima na Europa. A combinação de normalização seletiva no hemisfério norte, defesa comercial no Brasil e choques de manutenção no México mantém a fotografia de spreads contraídos, exigindo disciplina de capex, gestão de estoques e foco em liquidez. Nessa linha, a companhia vem reforçando a resiliência financeira e a flexibilidade para atravessar o downcycle, como evidenciado pela contratação de assessores para otimização da estrutura de capital e fortalecimento da disciplina de liquidez, conectando execução operacional, proteção de spreads e arquitetura de capital para sustentar a trajetória até a recuperação setorial.

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